Ah, desculpe-me por divagar sobre os lírios que você me trouxe, enquanto você quer me dizer algo importante sobre um nós que não existe, mas, quem sabe?
Me desculpe por tentar descrever os seus olhos que me olham agora tão impacientes, ou por tentar descreve-los quando estão tristes, enquanto você quer me mostrar algo. Me desculpa por dizer, que eu já vi. Desde a primeira vez que eu te olhei nos olhos, como se escorresse pelo canto da boca aquela coisa intocável, intacta. Tão frágil que tem dentro de você.
Me desculpe por não ser sua por inteira. Por não ser minha por inteira. Por não ser completa. Por isso também, eu não te peço quase nada. Só quero os seus olhos. E o seu sorriso, e a sua voz. Quero que você ria secamente das minhas infantilidades e me diga com voz paternal que vai sempre estar aqui, mesmo que não esteja. Quero que você me olhe de um jeito que não precise dizer nada.
Me desculpe por ser assim, e te querer assim, mas é inevitável. Por isso não se gaste, nem gaste palavras. Nós não precisamos disso.