quarta-feira, 20 de julho de 2011

ela queria ir embora. e todos a julgavam uma idiota.
ela queria ir embora. e todos a condenavam a cada passo em falso.
ela queria ir embora. ela só não sabia onde ir. ela só estava perdida, e ninguém nunca notou. ninguém nunca ouviu seus gritos à noite. ninguém viu as olheiras que denunciavam que o sono não era mais agradável, nem ficar acordada era. ninguém nunca viu as lágrimas silenciosas que ela chorava. ninguém nunca parou para sentir o que ela sentia. ninguém nunca se perguntou porque ela era tão quieta.
ela só estava perdida.
ela só queria ir embora.
e quando ela estendia as mãos vazias abertas para ele, ele nunca entendeu que ela só queria que ele colocasse as dele. ele nunca entendeu que ela só queria que ele colocasse seu coração naquelas mãos pequenas e vazias.
ela só estava perdida. e não tinha nada.
e todos a julgavam morta, enquanto ela ainda respirava.
e todos a julgavam louca, por ainda tentar.

terça-feira, 19 de julho de 2011

*-*

e tinha aquela garota. que desenhava relógios no pulso. tinha um mundo de palavras escondido nos bolsos e um sorriso triste sempre no rosto. não sabia onde queria ir. não sabia porque queria ir. apenas ia, sem pensar em nada. sabia que gostava de alguém que não gostava dela. sabia que isso doía. só não sabia fazer parar. ela cansou de esperar as horas passarem. cansou de ser esperada. cansou de tudo. agora ela vive em um mundo sem nenhum relógio, só aquele, desenhado no pulso, sempre errado, sempre certo, sempre nada. no mundo dela só tem palavras. só tem sentimentos. e ninguém pergunta que horas são. porque o relógio está parado. o tempo está parado e ninguém quer que ele ande mais. sem hora marcada, sem compromissos. sem beijos apressados. tudo no seu tempo. tudo certo. sem dia, nem noite. é tudo como e quando deve ser.
mas tinha aquele cara. que não tirava os olhos do relógio. estava sempre contando os minutos, sempre pensado no depois. até que ela o fez ele parar. e eles ficaram assim, parados, sem pensar em nada, apenas vivendo aquele momento. e ela mostrou para ele que os relógios eram relativos, que o mundo fica feliz quando se tem apenas um relógio, desenhado no pulso. mas ele foi embora, viver com hora marcada e a deixou em alguma esquina, conversando com algum estranho. ele esqueceu dela.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

desabafo.

nesses últimos seis meses eu aprendi muitas coisas. algumas delas me doeram bastante, até eu me acostumar e aceitar que elas eram verdade. sim, doeu bastante até eu aprender um pouco. nesses últimos meses, eu aprendi que não tem nada de errado em chorar. aprendi que às vezes a gente cai, e precisa de muito tempo, e de muita ajuda para poder levantar de novo completamente. eu aprendi também, que a gente precisa deixar as pessoas irem embora. aprendi a não guardar quase nada. nenhuma foto, nenhum recado. nenhuma palavra para ser dita depois, nenhuma lágrima para ser chorada quando eu tiver um motivo "mais plausível" ou algo assim, para chora-la. porque essas coisas escapam, nos piores momentos às vezes. porque essas coisas te matam por dentro. então você precisa deixar elas irem também, porque se ELE me escapou entre os dedos, então as coisas que restaram também, podem/vão escapar. por isso, eu tenho que me desprender dessas coisas. aos poucos. e deixa-las irem devagar, naturalmente. e se for para elas ficar, elas ficarão. mas, se realmente for para elas irem, então é melhor que eu já esteja um pouco longe, é melhor que eu não esteja presa a elas. eu não estou dizendo que não vai doer, porque é claro que vai. mas assim é mais fácil doí menos, ou a mesma coisa, mas doí por menos tempo. e o que eu NÃO TENHO QUE FAZER é perder tempo com o passado e ficar chorando eternamente por coisas que não vão mais voltar. eu sei, é difícil. eu ainda não me acostumei totalmente com isso. mas estou tentando te deixar ir do melhor jeito possível. estou deixando tudo ir devagarzinho. mas agora eu não sei direito bem o que fazer, é que tem uma coisa que eu não aprendi nesses últimos meses. eu não aprendi o que fazer com o buraco imenso que fica, quando alguém vai embora, e leva tudo o que era "nosso" junto, eu não aprendi o que fazer com o vazio que fica. e eu não tenho você, para me dizer o que fazer. você já foi embora, não é?

sábado, 16 de julho de 2011

ela estava olhando perdida, para o nada.

- no que você estava pensando? - ele perguntou, mas ele tinha tanto medo da resposta quanto ela
- que ninguém nunca voltou para mim. - ela respondeu baixinho, com medo que seu coração ouvisse, com medo que sangrasse.
- como assim? - ele não queria entender
- que é sempre adeus, e nunca mais. - ela disse olhando no fundo dos olhos dele
- ah - ela começou a brincar com a mão dele
- é sempre assim. sorrisos e finais de semana bonitos. e o sol te acorda devagarzinho, mas a sua vida é um sonho, então não faz mal. conversas que duram horas. palavras importantes que são ditas em segundos, segundos preciosos. e eu esperaria horas e horas para ouvi-las novamente, bem baixinho. mãos, dedos, olhos. então somos pássaros livres, lindos, e voamos para longe, apenas nós. pôr-do-sol. vinho. e olhos sempre atentos. as mãos juntas, quase fundidas. os mesmos passos e também tem toda aquela coisa romântica de beijos e abraços que não deveriam acabar nunca.- ela apertou a mão dele forte -  e acordar ao lado de alguém que você gosta. ou então só ficar do lado, sem dormir. ver as pessoas passar e querer gritar, ei, olha para mim, como está tudo bem agora, olha. e estamos juntos, felizes. e eu já nem sinto nenhum buraco no meu peito. mas tem, está lá. um buraco no formato de um prego.- ela solta a mão dele -  e só está esperando para que você enfie um prego lá. mas eu não estou sentindo ele, então eu esqueço que ele existe. só esqueço. até que um dia, nublado, ou ensolarado eu estarei sentada em uma cadeira, com o olhar vazio, olhando para o nada, porque seus olhos não são mais amigáveis, e em silêncio, porque as palavras não significam nada mais, não como antes. elas não são mais preciosas. elas só machucam, e cortam. estarei sentada, triste e você me dirá: adeus. e será "adeus para sempre" e seu último ato, a última coisa que você vai fazer, a última coisa que eu vou me lembrar de ver você fazendo, não vai ser ver televisão, enquanto ignora totalmente a minha existência, não vai ser assim que eu vou me lembrar de você para sempre. eu vou me lembrar de você se levantando, com um prego na mão, um prego que você vai pregar no meu coração. e vai me dizer, que é só por um tempo. ai você dirá adeus. mas voltará no dia seguinte e irá tira-lo, mas só enquanto você estiver do meu lado. ai tudo vai me parecer perfeito. mas você irá embora de novo. e o prego vai voltar para o meu coração. enferrujar um pouco lá. e você fará isso todos os dias. por um mês, ou uma semana.
- pare!
- mas depois de um tempo, você vai cansar do meu sorriso, ou da minha voz. e o tempo que você ficar comigo vai ser entediante. você vai se irritar fácil, e eu vou te perguntar o que houve, sem saber direito o que está acontecendo, e você me responderá que não é nada, que é só uma fase. até você parar pra pensar e achar que EU sou só uma fase. então você me dirá: adeus . e deixará aquele maldito prego no meu coração, enferrujando a cada dia um pouco mais.
- eu não... eu nunca faria nada disso com você.
- não. poderia não enjoar de mim, podeira fazer de alguma coisa diferente. mas eu sei, que no final, você estará indo embora e o prego estará no meu coração.
ele se levantou e foi embora. ela estava certa.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

do que eu sou feita?

sobre o que são esses sonhos? de que eu sou feita? desses sonhos tristes? de sonhos felizes? de... sonhos? e apenas isso? sonhos? 
e para quem se derramam essas lágrimas? são lágrimas felizes? são tristes? são lágrimas de quem? minhas? suas? de alguém que já não chora mais? de alguém que já cansou de chorar?
do que eu sou feita? de pequenos pedaços? pedaços colados, e quebrados de novo e de novo? pequeninos pedaços que às vezes acabam se perdendo pelo caminho? pequenos pedaços de outras pessoas, de outros lugares, de outros tempos? de pessoas que eu já não encontro mais? de lugares que eu sempre quis voltar, mas entre tantas e tantas magoas eu esqueci o caminho? de um passado quebrado em mil pedaços e dificil de achar?
de coisas que não voltam mais? são pequenos pedaços feitos de coisas que não voltam mais? e eu? eu volto? quem voltaria por mim? quem já voltou para mim? nem eu mesma voltei. eu me deixei em alguma rua escura, em algum canto sujo, em qualquer lugar. nem eu mesma. nem eu mesma.
somos feitos do mesmo barro? somos feitos de algum barro? somos feitos de algum sentimento? que, é dificil explicar, não se é feito para dar nome, nem para entender totalmente, você tem que sentir do que eu sou feita. vai doer. talvez sangre, mas é o único jeito. assim seremos iguais, e teremos a mesma essência. teremos alguma coisa.
do que eu sou feita? de promessas quebradas? repartidas? feitas por pessoas que nem sabiam o que estavam fazendo? e é essa a minha desculpa para eu estar assim? eu não sei o que eu estou fazendo? é essa a minha desculpa?
 esta na hora de parar de jogar esse amor ao vento. está na hora de recuperar o tempo perdido e levantar, não importa do que eu sou feita, não importa quantos pedaços faltam, essa não será a única nem a última vez que eu vou precisar ser forte.
me desculpa.
às vezes eu sou impaciente. arrogante. MUITO impulsiva. às vezes eu nem quero viver mais, tudo isso me cansa. me desculpa mesmo, mas esse seu jogo me cansa. me cansa muito. e eu sei que você não faz por mal. mas, eu canso rápido. canso das pessoas canso dos lugares, canso de você. eu vou embora sempre, e isso é uma coisa que você tem que saber. eu não gosto de dizer adeus, e não gosto de dizer um monte de outras coisas também. mas dizer adeus, eu detesto. porque, bem, porque estou dizendo adeus para alguém que faz parte de mim. é sempre assim. tenho que dizer adeus a mim mesma no final. então, eu não digo nada, não com a boca. mas, eu queria que as pessoas percebecem, quando as minhas mãos fogem, e meus olhos somem no vazio. eu queria que alguém notasse, quando eu deixasse minha boca pender, e tentar fazer escorrer aquela palavra que eu odeio. eu queria que alguém notasse e dissesse apenas: "volta logo". só isso. sem abraços, sem beijos, sem lágrimas, só a promessa de voltar. e que isso bastasse para alguém.

domingo, 10 de julho de 2011

"acorde.

acorde.

respire.

sorria.

ou não sorria.

não precisa.



                                                                                só respire, por enquanto."