quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Menina perdida

Via a vida muito bela. Com sorrisos alegres. Satisfação duradoura. Felicidade o tempo inteiro. As lágrimas eram de emoção, de alegria. Não conhecia a doença. Nem a dor. Não conhecia o ódio, ou o rancor. Para ela toda essa história de tristeza, de problemas, de dor, eram coisas quase como lendas. Que ela ouviu falar uma dia quando escutava escondida conversas de adultos. Um dia ela decidiu que conheceria essas lendas pessoalmente. Então fugiu de todas as coisas boas, de toda a felicidade e se perdeu em qualquer mundo triste. Conheceu coisas horríveis e pessoas também. Não conseguia entender porque tudo ali era daquele jeito. Sujo. Podre. Triste. Morto. Estranho. Logo foi apresentada aos piores sentimentos. Dor. Raiva. Ódio. Rancor. Lágrimas. Sorrisos falsos. Felicidade passageira. Nunca se satisfazia. E quando quis voltar ao seu mundo feliz e perfeito, não conseguiu. Já estava corrompida demais para voltar. Devia ter deixado que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo de uma criança, uma estória, uma lenda, nada mais que isso. Ela era só uma menina perdida. Nunca mais voltou. Morreu naquele mundo estranho e triste. Corrompida pelo ódio e pela dor. Morreu de qualquer doença que qualquer um poderia ter morrido naquele lugar qualquer. Só que ela. Ela não era qualquer uma.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ofensa.

Mas é tão difícil parar quando se está tão rápido... É tão difícil. É tão difícil voltar quando se foi tão longe. E eu acho que eu já fui longe demais. Eu não tenho que provar para ninguém o que eu posso ou não fazer. Nem do que eu sou capaz. Eu sei até onde eu posso ir. Sei que já passei dos meus próprios limites. Mas agora, eu estou longe demais para voltar. Longe demais para me arrepender. Não entenderam o modo certo de lidar comigo. Não souberam valer a sua razão. Nem souberam como poderiam me controlar. Eles deviam entender, que as coisas não são assim. Que desse jeito as coisas vão permanecer imóveis, e que quanto mais prenderem, maior será a vontade de fugir. Talvez seja apenas para desafia-los. Mas eu não ouso dizer que se trate apenas disso. Por que eles também, foram longe demais. Eles merecem. Se decidiram desconfiar. Se decidiram que iriam me achar mau-caráter. E que iriam me consertar. Decidiram errado. Por que para a desconfiança não havia motivos. Por que não era um desvio de caráter. Eu não estava quebrada. Mas se decidiram assim. Então darei motivos para desconfiarem. Esquecerei dos meus princípios. Estarei quebrada, aguardando que me consertem. E ninguém pode me dizer que eu estou certa, ou que eles estão certos. Por que não existem certos nisso tudo. Estamos todos errados. E só. 

Partir

Ela quer ir embora. O quanto antes. Para poder esquecer de tudo o que aconteceu. E recomeçar. Mas ela não consegue. Como ela pode esquecer de si mesma? E de tudo? Parece tão difícil. Mas ela não tem muitas opções. Ela quer gritar as verdades que ninguém nunca imaginou. Com os olhos entreabertos fica olhando para o passado, com certa tristeza, com uma lágrima que não escorre de seus olhos, triste. Viver em vão. Ir embora sem motivos. Voltar. Ela não sabe ser diferente. Ela não consegue viver diferente. Como ela pode? Apagar. 
Tudo.
Assim. 
Mas ninguém entende que ela é como todo mundo. E precisa das mesmas coisas que as outras pessoas precisam. Ninguém entende que ela não pode ser diferente. Nem ela mesma entende.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Será dela.

Ela lhe disse que não deveriam. Lhe disse que era errado. Mas todos erram. E nem sempre fazem o que devem. Ela devia ter pensando antes de dizer todas aquelas bobagens que ela achava que eram verdades puras e só. Ela também lhe disse para provar. Provar o que? Que ela estava errada e que ele não devia ter que provar mais nada? E ele não disse nada. Ele apenas a olhou com uma tristeza em seus olhos. Ela sabe que ele provaria 1 milhão de vezes para ela. Ele sabe que ela pediria para ele provar 1 milhão de vezes. É preciso que ela diga logo, antes que ele se vá, para sempre, para longe. Mas ela não é capaz. Mantem o seu orgulho. Um orgulho que encobre a sua insegurança. O seu medo. Do não-amor que pode nascer no peito dele. Do não que pode brotar de seus lábios, invadir as entranhas delas, até chegar no coração e lá para sempre permanecer, matando lentamente o que restou dentro dela. Ela tem tanto medo. E ela não quer que a história deles seja igual a todas as outras, e quando diz igual, quer dizer que não quer que a história deles tenha um final. Ela quer que eles sejam como um livro sem final, com páginas em branco. Para que possam escrever seu próprio final ou então nem escreve-lo. Quer que seja deles a decisão. E não de um destino intrometido. Mas no final será dela a decisão. A culpa. O golpe de misericórdia. O último adeus. A última lágrima. Será dela.

sábado, 25 de dezembro de 2010

AM.

Am, feliz natal pra todo mundo. E pras mosquinhas também (:
SKAÇLSKAÇSK~´AKSÁPKSÁPKSAKSO
bj :* anninha

Queria te pedir.

Ficou preso na garganta. Aquele pedido de desculpas. Que por puro ou por mero orgulho não foi dito. Ficou só aquele nó. Aquele não. Foi por um orgulho que eu já não tenho e que eu já não mereço. Eu queria poder te dizer, que você é muito mais do que eu esperava. E que vai muito além de onde eu pensava. Que você provou que pode ser tudo o que eu precisar. E o que eu não precisar também. Queria te dizer que eu sou uma péssima julgadora. Que nunca sei quando me mentem, nem quando me dizem a verdade. Mas que às vezes, alguma coisa dentro de mim me diz para desacreditar, ou para acreditar. Apesar dessa coisa errar às vezes. Eu prefiro ouvi-la. Por que às vezes é a única coisa que eu tenho para ouvir. Queria poder te dizer que eu estava errada cem mil vezes e que você estava certo. Que a culpa é sempre minha e não sua e que eu estava enganada, que a gente não tem que ligar mesmo pra tudo o que nos dizem. Que há algumas verdades tão dolorosas que preferimos, então mentir. Queria te dizer que quando eu fico em silêncio sozinha, a única coisa que eu ouço é a sua voz. Que quando eu fecho os olhos você sorri para mim. Que eu quase posso ouvir a sua respiração às vezes. Queria te dizer que eu nunca deixei de confiar em você. E que apesar de tudo, você é especial de qualquer jeito para mim. Queria te dizer desculpa. E mesmo que me digas que não. Mesmo que vás embora. Mesmo que esse seja o fim definitivo. Eu queria te dizer que para mim as coisas sempre serão as mesmas entre nós. Que nada mudará, nunca. E se, realmente te fores, um pedaço seu ficará, dentro de mim. Por que você me ensinou o que realmente é vida. E isso não pode ser mudado nem esquecido. Ninguém pode apagar, por mais que tente. Nem mesma eu.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Minha cara amiga traída.

As coisas nunca foram como se pensava. Todos foram surpreendidos pelo que realmente estava por trás de tudo isso. Os amigos lhe apunhalaram. E os avisos haviam sido ignorados. Sutilmente, lhe derrubaram. Sem que percebesse, lhe enfiaram sem piedade facas nas costas. E os maus, eram na verdades os heróis. A sua guarda era feita de inescrupulosos ladrões a quem antes você negara o perdão. Mas minha cara a vida é assim. Não pense que é diferente de todos os outros que agora te cercam. eu digo, e repito: Um dia da caça, outro do caçador. Permita-me que lhe aconselhe, fuja daqui antes que tudo desmorone em cima de você, antes que não haja mais volta.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A culpa

Bateu a sua porta. Inesperada. Cruel. Rude. E sem pedir licença, invadiu sua casa. Tornou tudo tão difícil. A cada passo seu, ali estava ela, lhe vigiando, lhe podando. Nem em seus pensamentos mais íntimos, nem lá, ela tinha paz. Descanso era algo desconhecido. Era como se falassem de algo utópico quando lhe diziam que tudo ficaria bem, que tudo ficaria em paz. Por que ela já não podia acreditar que aquele inferno teria um fim. Ela tentava evitar. Mas estava impregnava em tudo. E até no ato mais inocente, até as coisas mais puras, a culpa transparecia. E gritava aquilo que ninguém podia escutar. A culpa.

Morta.

Olhava para o chão. Falava bem baixinho. Quase não falava. Ficava lá. Só. Consigo mesma. Às vezes, podia ver um esboço de sorriso em seu rosto. Mas, não durava. Logo estava sombrio novamente. Um dia lhe perguntei se ficaria ali para sempre, e me respondeu secamente: - Quando tiver que ir, irei. Também não lhe perguntei mais nada. Às vezes conversávamos, parecia inteligente. Na última conversa, me disse que gostava da minha companhia, e que se pudesse ... Não terminou de dizer o que eu tanto esperava ouvir. Ficou calada no silêncio. No vazio. Então eu fui embora, cabisbaixa. E quando eu voltei, já não estava mais ali. Havia alguma coisa naquelas últimas palavras, que me gritavam que eram as últimas palavras. Mas eu ignorei. E fui embora mesmo assim. Mesmo sabendo que dessa vez seria para sempre.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Antes.

Rasga. Despedaça. Dói. Sangra. De dentro pra fora. Como facadas. No peito. Nas costas. No coração. São as pernas que doem. O cansaço de quem não dorme. O olhos inchados, de alguém que chorou muito. As mãos trêmulas. Os olhos que fogem. A boca que não diz. O coração que não sente. Esta perto do fim. Por que eu sei que é assim antes do fim.

E se?

E se eu precisasse de ajuda, você me ajudaria? 
E se eu não parasse de chorar, você me consolaria? 
E se eu ficasse fora de controle,você me controlaria? 
E se eu precisasse de ar, você me daria tempo? 
E se eu fugisse... Você me encontraria? Você fugiria comigo?

Verdade absoluta.

"Você não pode tudo", aquelas palavras retumbaram dentro dela como um eco infinito. Por que era uma verdade absoluta. Ela não podia. E ponto. Então ela correu para o único lugar onde se sentia segura. E novamente ela estava ali sentada de frente para uma vida que não se parecia com a dela. Mas era a dela. Não se parecia com a vida que ela sempre sonhou. Nunca pensou que um dia seria como é agora. Mas ela não pensou em um monte de coisas. E ah, se ela soubesse como seria. Ela teria fugido antes de chegar a esse ponto. Mas ela não sabia. E agora, ela estava prestes a perder aquele refúgio de paz no meio da tempestade. Tinha que ir. E deixar para trás, tudo o que era importante. Ela descia aqueles degraus cinzas e tortos. E repetia aquelas palavras em voz baixa para si mesma, aquela verdade absoluta. Ela não sabia de mais nada desde então. Não conseguia distinguir o que era real, do que não era. E procurava não pensar muito nisto. Mas uma hora ela ia ter que encarar. Dizer adeus também é necessário. Mas quando ela tentou dizer adeus. Ela não conseguiu. Ela não podia. Tudo estava completamente acabado. E ela não podia mudar isso também.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Como o fim.

Foi como uma despedida. Foi como uma última conversa. Como um último abraço. Como um adeus enfim. Era triste e doloroso. Ninguém queria que acontecesse. Ninguém queria que acabasse. Mas acabou. Tudo o que aconteceu vai ficar guardado dentro de nós. E mesmo que um dia morra, ainda haverá a lembrança. A verdade é que eu não tenho tanto medo assim que termine, eu tenho bem mais medo que nunca comece. Tenho medo que não valha a pena. Naquela tarde tudo dizia adeus. As cores perderam os tons. E os sons se tornaram mudos. As folhas das árvores caiam lenta e melancolicamente. Os nossos passos pareciam não nos levar a lugar algum. E as lágrimas que choramos naquele dia, até elas, diziam adeus.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Voltando.

Os sorrisos eram tristes e forçados. E os olhos não fitavam os outros, fitavam apenas o chão. As mãos se escondiam nos bolsos. E escondidos também estavam os pensamentos, as palavras, os gestos e os sentimentos. Os corações eram vazios. Assim como tudo. Cinza era a cor que reinava. E os retratos na paredes eram antigos. Parecia que haviam congelado no tempo. Tudo estava igual, só que estava vazio. O porão e o sótão. E os quartos, guardavam velhos sentimentos. Mas parecia tão irreal. Por que quando se vai embora espera-se que as coisas melhorem e mudem. E o que resta quando se volta, é ver que elas permaneceram intactas sua espera.

Sorrisos nostalgicos.

Ela sorriu e mentiu como - de fato - sempre fez. Não que ela quisesse mentir. Mas a verdade, muitas vezes era inconveniente, não só para ela como para os outros. Disse que estava tudo bem, quando não estava. Disse que não ia chorar, quando já não aguentava mais. Disse que podia continuar, quando já não tinha mais forças. Doou tudo de si. 
Tinha olhos negros e melancólicos, que lhe sugavam até um passado bom e distante, e que nunca vai voltar. As palavras que ela diz não fazem sentido. Nem seus gestos impulsivos. Estar como ela é como estar perdido. Sem rumo, sem chão, sem nada. É de uma falsa alegria que ela vive. Com sorrisos e conselhos de vida. Conselhos bons que ela nunca segue. Sorrisos verdadeiros que nunca duram. Ela prefere salvar a todos, exceto a si mesma. Ela pensa não valer nada. Talvez não valha. Talvez valha. E se você perguntar o que ela quer, ela não vai lhe responder, porque ela não sabe. É admirável como ela é capaz de tudo por alguém. Mas ela não liga. Não como antes. E é sempre assim que pensa. No antes. 
E vive de um passado, que vai lhe consumindo a cada lembrança. E o presente é igual a nada. Ela não consegue perceber o que esta acontecendo agora. E no fim, só o que sobra dentro dela, são lágrimas que nunca vão ser choradas.

Quanto tempo?

Ela fitava o chão. Depois as paredes. Fitava as luzes. As pessoas. E por fim, meus olhos. Via sem ver. Sem perceber o que via. Sem perceber também que era vista. Mas de repente acordou. E como a realidade era, de fato, triste, ela quis voltar a sonhar. Fechou os olhos e desejou não ter acordado. Mas ela tinha. Quando percebeu que tão cedo não voltaria a sonhar, o desespero tomou conta dos seus olhos. Ela queria ir embora. Sair dali. Ela queria gritar. E quando seus olhos encontraram os meus, ela me pediu ajuda. Eu atravessei a multidão puxei-a pela mão e a salvei daquele lugar. Agora estávamos só nós dois. Pareceu que ela ia dizer algo, mas eu a apertei contra meu corpo, o mais forte que eu podia e enquanto eu a abraçava eu podia sentir a sua respiração ofegante e o seu coração batendo forte, então eu lhe disse: - Não seu preocupe. Eu estou aqui. Eu vim. Ela rapidamente se desprendeu dos meus braços e me perguntou: - Até quando? Eu não respondi. Eu apenas a comprimi novamente contra mim. E enquanto eu estava abraçada nela, lágrimas escorreram dos meus olhos e um gosto amargo invadiu a minha boca. Por que eu não estaria ali para sempre. E o pior, é que ela sabia disso. 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A cópia,

São todas as palavras invisíveis que eu escrevo. São todos os sentimentos que eu não deixo sair. São todas as coisas que acontecem. São todas as suas atitudes, os seus gestos, e as suas palavras, são as roupas, e o cabelo, são os amores e os desejos. São as manias e (des)manias, e o jeito de rir. É tudo tão admirável, o quão grande é a sua determinação e ideia fixa de ser a outra. Ao invés de ser você mesma, de aceitar você, e de criar a sua história, o seu estilo e a sua personalidade. Ser a outra, a que é mais legal, e mais popular, a que tem seu estilo e as suas histórias, mas diga, qual é o problema de ser você mesma? Qual é a graça de ser outra pessoa? Sabe-se que o que você precisa é de alguém que lhe coloque no seu devido lugar.
E o pior de tudo, achar que é melhor que a outra. Ri, sorri, até mente do mesmo jeito que ela.
Acha que é para você que dão oi, que é para você que sorriem, que é de você que gostam. Mas as pessoas, minha querida, não são cegas, e veem como você quer ser a outra, como cuidadosamente a imita, e que parece anotar, e observar cada passo, gesto ou palavra da moça, e que, de fato, na ausência dela, age como ela, e tenta tomar o seu lugar de todas as formas.
Mas por mais que tente, por mais que consiga, nunca será a outra.
A cópia, é só uma cópia. Nada mais do que isso.

Esperando.

Eu ando na chuva, esperando te encontrar à cada esquina.
Mesmo que eu tenha medo de te ver, mesmo que eu tenha medo de te olhar, mesmo assim, o desejo é mais forte.
Eu ando sozinha nas ruas vazias, esperando ser encontrada por qualquer estranho que me ouça. Agora, eu sou o retrato da decadência, da desolação, do que a dor pode fazer à uma pessoa.
Eu ando chorando, e mudando meus planos pra poder te ver "por acaso" na sexta.
Mas tudo isso, não é nem um pouco real. E se você é uma mentira, e se esse mundo é uma mentira ... Eu não quero a verdade. 

Eu quero as mentiras, as mais belas que você tiver, eu quero todas, desde que você venha com elas. Eu quero também as meias-verdades, e as mentiras sinceras... eu quero o irreal, o imaginário, a ilusão. 
Eu quero o fim, coberta nas tuas ilusões.

Querida.

Talvez você devesse sumir por uns tempos, trocar de ares, sabe?
Fugir um pouco dessa vida tão horrível que te cerca.
Pagar pra ver. Esta faltando algo aqui, eu não vejo... Você precisa descansar por alguns dias, alguns meses quem sabe.
Poxa vida garota, você - ainda - não dormiu? Quanto tempo faz que você não é normal?
Permita-se descansar, permita-se falar mais, tente, apenas para poder dizer que tentou.
Quem sabe um descanso não te faça bem, suas olheiras fundas, seu rosto pálido, seu corpo esquelético, suas mãos trêmulas e o constante medo em seus olhos negros e tristes estão cada vez mais me deixando preocupada. 

Apesar de eu ter quase a mesma aparência. Eu queria que você fosse diferente de mim.
Quanto tempo faz que você não descansa? 

As vezes eu sinto como se você já lutasse há mais tempo que eu, como se eu tivesse aprendido com você.
Grande mestra que você será daqui há alguns anos... não há duvida nenhuma que resistirias até lá, apenas estarias, mais deteriorada, mais triste, mais amarga.
Seria muito egoísmo você querer de vez enquanto que as pessoas saibam o que você passa? 

Por alguns segundos você errar? 
Egoísmo é esconder-se do mundo.
Quem sabe como poderiam ser as coisas se ele desistissem, ou se nós desistíssemos?
Por que não paramos por alguns instantes e olhamos a nossa volta, apreciamos a bela paisagem que no cerca? 

Por que não temos tempo para prestar atenção nas coisas inúteis que a a maioria das pessoas presta? Eu tinha todas as respostas, eu as carregava comigo, junto com meu coração... Que me tiraram a tanto tempo.

Naquele dia.

De repente tudo ficou vazio e a chuva chorou as lágrimas que havíamos escondido no fundo de nossos olhos, e lavou nossas almas de qualquer resquício de sentimento ou culpa. E a cada gota que respingava na minha janela ficava mais forte a minha certeza de que finalmente tudo havia acabado.
O vento bateu as janelas que eu insisti em deixar abertas e desarrumou os papéis que eu havia deixado sobre a escrivaninha.
Pelo resto do dia, os pássaros não cantaram. 

E só podia ser ouvido os assobios do vento.
À noite, os cães se recolheram e repetiram o silêncio do pássaros. 

E nem mais o vento podia ser ouvido.
Por que naquele dia, o meu amor por você havia acabado.

Fingir.

Fingir que nada aconteceu, é só mais um jeito de fechar os olhos para aquilo que nos assusta. E por mais que a gente tente, não podemos mudar o passado.
Não importa quanto tempo dure esse sonho, importa que cedo ou tarde nós teremos que acordar, e enfrentar o mundo real. Um lugar onde os contos de fadas não duram, um lugar onde não teríamos final feliz.

She.

Ela vive atrás de um rumo. Está sempre procurando um chão. Seus passos, leves, imitam batidas de um coração que ela não tem. Suas decisões, secretas, não a levam a lugar algum. E o pior é que ninguém sorri para ela. Ninguém sabe seu nome ou seu paradeiro. Ninguém olha nos seus olhos verdadeiros.

Medo.

Eu tive medo quando você soltou a minha mão e me disse para ir. Eu tive medo de nunca mais te ver. Tive medo que aquele fosse nosso último beijo. Tive medo de dizer adeus. Eu tive medo que todas aquelas palavras tristes fossem verdade. Tive medo do que seria capaz de fazer por você. E quando você me pediu para ir com você eu tive medo que não fosse para sempre. Eu tive medo que os anos passassem e tudo aquilo acabasse. Eu tive medo que tudo se esvaziasse. Eu tive medo de ter que voltar, arrasada, e admitir para todos aqueles que não acreditavam que conseguiríamos que eles estavam certos. Que a vida era amarga e ponto. Eu tive medo de não ter mais motivos para sonhar. Eu tive medo de sentir. Desculpe.

Meus dias sem fim.

Você entra lá. É tudo novo. As pessoas são diferentes. Os hábitos são outros. Os dias em que você esta lá são todos perfeitos. Tudo é instantaneamente legal. Você se atira de cabeça sem querer nem saber o que tem em baixo. Quando você pensa que esta em queda livre mãos amigas lhe puxam de volta. Ninguém te abandona. Ninguém te deixa só. As luzes da festa fazem o tempo parar. As fotos são eternas. Aquela música não sai da sua cabeça e você dança a noite toda. Toda aquela felicidade imperfeita lhe deixa totalmente entorpecida. Os dias não tem fim.

É o fim?

Você esta com as mãos fechadas, e pensa que segura o que lhe resta. Mas é uma mentira que você conta a si mesma. Suas mãos estão vazias, assim como você. Você se perde por entre seus próprios escombros, toda aquela poeira lhe deixa confusa. Você está sozinha e não tem ideia do que aconteceu. Você odeia isso.Tudo lhe escapou entre os dedos de repente você não sabe o que fazer. Você senta no meio do nada que se tornou a sua vida e chora. Mas você sabia desde o começo que um dia tudo acabaria. Não foi o suficiente ter vivido o que viveu? Não foi o suficiente o presente "e dane-se o que vem depois"? São palavras tão lindas e fortes, mas são tão falsas como tudo o que te cercava. Você seca as lágrimas e se levanta. Porque ainda não acabou.

Morta-viva.

Guarda para si, todo o ódio, toda a dor, toda a mágoa, toda a decepção, definha e morre em silêncio. Por um momento pensa ter encontrado a solução, mas era só mais uma mentira. Por um momento pensa ter encontrado um chão, mas era só ilusão. Ela acha desnecessário tudo isso. Se gasta, desgasta, se perde, perde as esperanças. É horrível. Se mergulha na nostalgia. No antes. Repete para si mesma as mentiras que conta. Já lhe tiraram tudo. Já lhe disseram para desistir. Ela vai ficando vazia a cada passo em falso que dá. Anda sem olhar para trás. Anda sem ter um rumo, ou um chão. É só uma casca vazia. Sem sentimentos. Sem emoções. Sem nada.

Essa é a verdade.

Eu queria tanto ver você sentado ali. E que sorrisse para mim. Mas ali você não estava. E eu desejei, desejei com todas as minhas forças que não fosse apenas uma sala vazia. Mas era. Era só uma sala vazia, igual a todas as outras salas vazias. Tinha um teto. Tinha paredes. E um piso. Tinha uma janela. Tinha uma porta. Mas na verdade, eu não tinha nada disso. Não tinha um piso firme que me mantivesse segura. Nem um teto seguro para me abrigar. Eu não tinha o que ver da janela. Nem para onde ir depois da porta. Então eu caminhei até o centro da sala vazia. Lá fora chovia. Do teto caiam gotas, e por alguns segundos pensei que fossem as minhas próprias lágrimas que escorriam mutuamente por todos os cantos. Da janela eu podia ver que o dia chorava comigo a sua ausência. Tudo ali me lembrava você. O cheiro, as cores, o toque do vazio. Eu não posso descrever nem em palavras, nem em ideias, o que eu sinto por você. Mas a verdade, é que eu já não sou bem-vinda naquela sala vazia.

Sonhadora.

Às vezes se pegava olhando para o céu procurando por novas estrelas, como se estivesse sozinha e fosse só ela e a escuridão. 
Era distante e quieta quando estava triste. 
Chegava a ser tímida. 
Mas era só um momento, ela realmente não estava ali, não quando a tristeza a consumia silenciosa. Ela era de um jeito só dela. 
Chorava fácil. 
Ria fácil. 
Gostava fácil. 
Se decepcionava fácil. 
E sofria, muito e em silêncio. 
Possuía um jeito diferente de ver as coisas. 
Sempre tentava ajudar. 
Sempre tentava dizer a verdade e de certa forma a dizia, nas entrelinhas. 
Lhe angustiava mentir para quem gostasse. 
Se não dissesse a verdade, calava-se. 
Às vezes tinha um jeito melancólico de falar sobre certas coisas. 
Como se tivesse acabado. 
Como se tivesse passado. 
Mesmo não tendo. 
Era diferente. 
Tinha medo do futuro. 
Mas sempre acreditava.  
Fazia parecer fácil. 
Distante e adocicada. 
Nunca totalmente algo. 
Nunca totalmente de alguém. 
Dizia palavras tolas e que não fazem sentido na hora, mas com o tempo se revelam verdades surpreendentes e por ela, previstas. 
Dizia não ser tudo o que pensam sem dizer o que realmente era. 
Havia um milhão de motivos para ir embora, mas jamais ia. 
Sempre havia alguma coisa para resolver, para falar, alguém que a prendesse, mesmo que apagasse esse alguém uma semana depois. 
Fazia parecer fácil escrever historinhas de amor, lindas e tocantes para os outros lerem. 
Mas não escreve a sua própria história. 
Vive sonhando e dizendo que tudo vai melhorar. 
Com seus sorrisos tristes e lágrimas que nunca secam. 
É de amor que ela precisa. 
Mas ela não permite que lhe amem. 
Sempre tapando as tristezas com as mãos, como se pudesse esconde-las de alguma forma. 
Sempre dizendo para não se preocuparem com ela, ela mesma não se preocupa. 
Pois ela sempre retornará. 
Fez o que fez. 
Faz o que faz. 
É o que não quer ser. 
Ela é todas as coisas que não podem ser explicadas. 
Vive das meias-palavras que lhe atiram ao rosto. 
De promessas. Ilusões.
De corações partidos e lágrimas. 
É disso que se alimenta. 
E ela esta sempre faminta por mais e mais. 
Até o vazio completo dominar.
Se destrói por gosto e de graça. 
Ela está louca e ninguém percebeu. 
Ela tem toda a razão do mundo e sabe o que é certo. 
Mas prefere ignorar isso e fingir que não tem ideia do que esta acontecendo. 
Ela cansou de tudo, exceto sonhar.