vomito palavras a ninguém
porquê ninguém é capaz
de suportar ouvi-las
vomito-as em frente ao espelho e
olhos sem piscar
nem mover um centímetro além
assistem para compilar
deprimentes
depreciativas
memórias e sonhos posteriormente
minha loucura dilacerante e a
minha lucidez incapacitante
objetos cortantes
na neblina aterradora
dos atos perdidos
das madrugadas a míngua
vomito palavras
mas as vomito em silêncio,
escuridão que cerca meus sonhos,
dor que reflete nas calçadas quando é dia e
brilha, brilha audaciosa,
me é impossível não enxerga-la
vomito palavras
mas contenho-me,
não as vomito todas de uma vez,
pois eu mesma já faço
esforços colossais
para ser capaz de suportar expeli-las e então
as escutar e então as assistir e então as
compilar e por fim
as recordar
com a certeza da impossibilidade e da
inoportunidade de reproduzi-las a outrem
não há como manter
tudo dentro de meu ser
ecoando
ricocheteando nas paredes
provocando rachaduras e
choques profundos
por isso eu
vomito palavras e então
eu escorrego nelas,
fico só,
caída ao chão
não desejo me levantar,
estar de pé é estar passível de cair,
e estou tão ferida após tantas e tantas quedas,
eu não suporto mais vencê-las,
quem sou eu que se reinventa a cada nova vez,
que estica a perna e dá um passo adiante,
quem eu sou?
que promete a tudo arrastar?
que devora até mesmo o mais terrível pesar?
vomito palavras a ninguém porquê
ninguém é merecedor de ouvi-las
é um terrível fardo a sustentar
se eu toco no assunto de repente
o chão fica macio entretanto denso
e ele os engole
em medos
os seus olhos se tornam vazados e
as suas colunas curvadas
em lentidão
adentrando
as camadas mais superficiais
dessa danosa compreensão
algumas choram
há as que não são capazes de crer
e outras que nada tem a me dizer
e eu entendo todas elas
eu somente
não possuo escolha
estou condenada
a este corpo
e a nele ficar
não possuo fuga plausível
dessa inextricável dor
que me domina
esse olhar mordaz
invade, desfaz
a infâmia paralisa
meu peito esvazia
então eu
vomito palavras e a
escuridão complacente
me abraça em suas correntes
me deixo apenas estar
nada além disso pude engendrar
vomito até a última gota de consciência que por aqui ainda há
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
LIQUEFEZ
e escapou pelas ventas
e escorreu no banheiro
e manchou o colchão
a dor liquefez toda a razão
e escapou pelo poros do meu rosto
e pingou pelo parquet do apartamento
e escorreu na frente de todos eles
e manchou seus corações
e perturbou suas emoções
quem sou eu
portadora de ilusões
por que respiro?
não encontro mais razões
por que não paro?
dormente em prisões
por que resisto?
infâmia sem perdões
onde me assisto?
para dentro daqueles portões
insensatez
se desfez
em murmúrios
alinhavei o perdão
com fios de prata
que retirei de meu coração
pus minhas mãos nas de alguém
que retirei de meu coração
pus minhas mãos nas de alguém
momentâneos devaneios de paz
em que me perco e encontro
entre tantos escombros
tantas frases não-escritas
sentenças não ditas
silêncio estarrecedor
este lugar-comum
em que me permito estar
realmente é muito fétido
é entorpecido com pesar
tudo tão fumegante e corrosivo
não me surpreende
você também não quis estar
o teu medo vai te guiar
até a saída mais próxima deste lugar
a minha repugnância vai te ensinar
o caminho da porta
minha feiura vai te provar
que fora daqui deve haver
algo mais interessante para se ver
liquefez
a dor liquefez
e eu quis dizer que não
busquei negar entorpecida
braços estendidos no chão,
e faminta
e faminta
mas as minhas retinas iluminadas
assistiram enquanto escorregou
pelo buraco mais próximo
assistiram enquanto escorregou
pelo buraco mais próximo
todo o amor
liquefeito
eu o deixei ir
sabia de antemão
não há razão para o impedir
liquefez
e calibrou
todas as emoções
terça-feira, 14 de agosto de 2018
a acidez do meu estômago
verteu pela calçada desnuda
até a valeta imunda
contaminando o meu entorno
contrastando o horror e a fome
que meu corpo acusa
são infindáveis
os ossos quebrados num ranger de dentes
estilhaçados num piscar de olhos
subjugados sem hesitação
entregue em minhas mãos
alguma substância letal
para me distrair desta emoção
a podridão de meus órgãos
ascendeu
etérea
num instante tudo desapareceu
subverteu em dor até mesmo
a resiliente ramificação de verde
que considerei tão admirável um dia
ela também agora se perde em meio a precipitação
o cheiro pútrido no ar denuncia
sou mundo inteiro em agonia
meus terrores mancham concreto
ardem puros aos olhos alheios mas
resumem tudo a indistinguível fumaça infértil
e eu os permito não quero refutar à ninguém
o badalar das horas a ressonar
o triste descaso a espreitar
incongruente corpo
inconstância a me arrastar
sigo faminta a buscar
entorpecidos sonhos
ridículas fugas
deito-me no chão frio
meus sonhos não são sonhos
são pinturas dos meus medos
me invadem como você o fez
e deles sou incapaz de me desfazer
como seu toque em meu ser
o desespero em meu olhar
é passível de se abominar
por isso te peço
não vá olhar em meus olhos
não vá se perder no desolado
descampado mutilado castanho
o arquear em minhas costas
pesa a sala inteira
e me entope de remorsos
do não dito e do não feito
sou toda anseios
noites a velar
janela como um astro a iluminar
impossível refutar
estralado olhar
estrelado luar
onde mais posso repousar
se em lugar algum encontro paz?
verteu pela calçada desnuda
até a valeta imunda
contaminando o meu entorno
contrastando o horror e a fome
que meu corpo acusa
são infindáveis
os ossos quebrados num ranger de dentes
estilhaçados num piscar de olhos
subjugados sem hesitação
entregue em minhas mãos
alguma substância letal
para me distrair desta emoção
a podridão de meus órgãos
ascendeu
etérea
num instante tudo desapareceu
subverteu em dor até mesmo
a resiliente ramificação de verde
que considerei tão admirável um dia
ela também agora se perde em meio a precipitação
o cheiro pútrido no ar denuncia
sou mundo inteiro em agonia
meus terrores mancham concreto
ardem puros aos olhos alheios mas
resumem tudo a indistinguível fumaça infértil
e eu os permito não quero refutar à ninguém
o badalar das horas a ressonar
o triste descaso a espreitar
incongruente corpo
inconstância a me arrastar
sigo faminta a buscar
entorpecidos sonhos
ridículas fugas
deito-me no chão frio
meus sonhos não são sonhos
são pinturas dos meus medos
me invadem como você o fez
e deles sou incapaz de me desfazer
como seu toque em meu ser
o desespero em meu olhar
é passível de se abominar
por isso te peço
não vá olhar em meus olhos
não vá se perder no desolado
descampado mutilado castanho
o arquear em minhas costas
pesa a sala inteira
e me entope de remorsos
do não dito e do não feito
sou toda anseios
noites a velar
janela como um astro a iluminar
impossível refutar
estralado olhar
estrelado luar
onde mais posso repousar
se em lugar algum encontro paz?
terça-feira, 24 de julho de 2018
Displicentes verdades
Tu me dizes palavras, e eu sou capaz de sentir o gosto delas.
Quando invadem meu corpo, displicentes, tornam-se verdades.
Antes disso eram apenas palavras, e antes delas, apenas a tua boca pela qual anseio inexplicavelmente todas as manhãs.
Agora verdades amargas encrustadas em minha pele.
Das quais não possuo hipótese de me libertar.
Tu me olhas fugaz, e eu queimo como se fogo se lançasse do teu olhar.
Quando cada ínfimo pedaço de minha existência desaparece em flamas diante de ti percebo o real valor que ela te representa. Fui feita para ser consumida.
Antes apenas tua imagem distante e pacífica, um fortíssimo odor inesperado no ar, confusão.
Agora meu corpo desfeito em cinzas - dominado pela inépcia - se esforça em vão para permanecer.
Não posso reparar os seus atos de nenhuma forma.
Você pode ver, são todos seus.
E eu, sou toda minha
E nada mais há de ser posto.
Tu me trazes o silêncio ensurdecedor da dúvida, e eu o internalizo, permito poluir os meus sonhos.
Quando cada certeza que há em meu corpo desvanece no céu azul há muito menos do que eu pensava haver, está tudo se apagando e eu não pude me conter.
Antes olhos que no cintilante horizonte se perdiam a sonhar.
Agora toda a escuridão que se possa imaginar.
Da qual faço parte sem nem ao menos ambicionar.
Não posso me controlar diante disto, nem mesmo posso me afastar.
Em meu coração não consigo relevar essa vontade que existe e que sempre cresce, esse ímpeto que rege meu corpo que diz "nunca deves parar".
Tu rompestes o laço que eu atei em puro amor, e num turbilhão agridoce eu me afoguei em pavor.
Quando soltastes - flutuei - e onde estou agora é irrelevante a ti.
Antes disso um belo laço, demonstração real da minha ilusão banal.
Agora somente ausência.
Tu me abandonas, e eu me sinto tão bem só.
Quando teus passos indistinguíveis seguiram o rumo incerto da tua existência, por um momento meus olhos ameaçaram transbordar.
Antes disso pensei que nunca irias partir.
Agora sei qual era o peso da tua existência sobre a minha.
Da qual eu fui, felizmente, poupada.
Quando invadem meu corpo, displicentes, tornam-se verdades.
Antes disso eram apenas palavras, e antes delas, apenas a tua boca pela qual anseio inexplicavelmente todas as manhãs.
Agora verdades amargas encrustadas em minha pele.
Das quais não possuo hipótese de me libertar.
Tu me olhas fugaz, e eu queimo como se fogo se lançasse do teu olhar.
Quando cada ínfimo pedaço de minha existência desaparece em flamas diante de ti percebo o real valor que ela te representa. Fui feita para ser consumida.
Antes apenas tua imagem distante e pacífica, um fortíssimo odor inesperado no ar, confusão.
Agora meu corpo desfeito em cinzas - dominado pela inépcia - se esforça em vão para permanecer.
Não posso reparar os seus atos de nenhuma forma.
Você pode ver, são todos seus.
E eu, sou toda minha
E nada mais há de ser posto.
Tu me trazes o silêncio ensurdecedor da dúvida, e eu o internalizo, permito poluir os meus sonhos.
Quando cada certeza que há em meu corpo desvanece no céu azul há muito menos do que eu pensava haver, está tudo se apagando e eu não pude me conter.
Antes olhos que no cintilante horizonte se perdiam a sonhar.
Agora toda a escuridão que se possa imaginar.
Da qual faço parte sem nem ao menos ambicionar.
Não posso me controlar diante disto, nem mesmo posso me afastar.
Em meu coração não consigo relevar essa vontade que existe e que sempre cresce, esse ímpeto que rege meu corpo que diz "nunca deves parar".
Tu rompestes o laço que eu atei em puro amor, e num turbilhão agridoce eu me afoguei em pavor.
Quando soltastes - flutuei - e onde estou agora é irrelevante a ti.
Antes disso um belo laço, demonstração real da minha ilusão banal.
Agora somente ausência.
Tu me abandonas, e eu me sinto tão bem só.
Quando teus passos indistinguíveis seguiram o rumo incerto da tua existência, por um momento meus olhos ameaçaram transbordar.
Antes disso pensei que nunca irias partir.
Agora sei qual era o peso da tua existência sobre a minha.
Da qual eu fui, felizmente, poupada.
terça-feira, 10 de julho de 2018
Há os que tem me aconselhado e pedem incessantemente que use minhas próprias palavras e fale, descreva, desvende para eles o que é essa minha dor profunda, o que é isso que eu tenho que me consome sem pesares, que me amordaça e espanca por noites afim, que causa esse cansaço evidente em meus olhos, que me sufoca cotidianamente, nunca me deixa descansar em paz por um minuto que seja.
Eu nunca disse a eles.
Eu não sei como poderia contar.
No máximo me limito a um simples e superficial comentário, voz embargada, pesarosos olhares pousados sobre mim - não ouso olhar, não quero reconhecer - sei que me olham, mas desvio e lhes digo com palavras frouxas:
- A vida também é feita disto e não há maneiras de se evitar.
Encontro por aí aqueles que me dizem:
- Tens de tirar de dentro de ti Anna Karenina... Não permita-os.
Repetem, enfáticos, mas encontro dificuldade em precisar se podem me perceber de forma verdadeira ou se são só mais um par de olhos vazis em harmonia com uma enorme boca aberta que profere sobre meu corpo e que nunca se cansa de repetir:
"Anna isso está a te matar."
Eu nunca disse a eles.
Eu não sei como poderia contar.
No máximo me limito a um simples e superficial comentário, voz embargada, pesarosos olhares pousados sobre mim - não ouso olhar, não quero reconhecer - sei que me olham, mas desvio e lhes digo com palavras frouxas:
- A vida também é feita disto e não há maneiras de se evitar.
Encontro por aí aqueles que me dizem:
- Tens de tirar de dentro de ti Anna Karenina... Não permita-os.
Repetem, enfáticos, mas encontro dificuldade em precisar se podem me perceber de forma verdadeira ou se são só mais um par de olhos vazis em harmonia com uma enorme boca aberta que profere sobre meu corpo e que nunca se cansa de repetir:
"Anna isso está a te matar."
Sei que dizem alguma verdade mas haveriam de saber o que fazer se soubessem que...
Haveriam de proferir tais palavras se por acaso na infindável noite de sofrimento assistissem ao meu corpo enquanto ele...
Não consigo contar a eles sobre você, e ficam zangados comigo - ás vezes até magoados - e muitíssimas vezes, decepcionados. Mas o que posso fazer se em mim atasses um nó e não sei eu desfazê-lo e se por fim me limitei a aceita-lo (não havendo nenhuma outra forma de se proceder diante disto), o que posso fazer se quando tento reproduzir a eles o mínimo que seja da dor que me causasses todo o entorno começa a girar e em minha cabeça surgem um milhão de palavras mas nenhuma é capaz, ah, nenhuma delas pode ser capaz de lhes mostrar o que foi, quem pode me culpar por isso?
Meu ser é um punhado de estilhaços que se rompem sem piedade todas as manhãs.
E o vazio que me consome, corrói as beiradas da minha existência sem pudores, destrói a calmaria das minhas noites.
Só encontro paz na dor.
Não nomeio alguém, deixo ao acaso, não quero que seja eu a dizer.
Não haveria de fazer qualquer diferença em todo o caso.
Haveriam de proferir tais palavras se por acaso na infindável noite de sofrimento assistissem ao meu corpo enquanto ele...
Não consigo contar a eles sobre você, e ficam zangados comigo - ás vezes até magoados - e muitíssimas vezes, decepcionados. Mas o que posso fazer se em mim atasses um nó e não sei eu desfazê-lo e se por fim me limitei a aceita-lo (não havendo nenhuma outra forma de se proceder diante disto), o que posso fazer se quando tento reproduzir a eles o mínimo que seja da dor que me causasses todo o entorno começa a girar e em minha cabeça surgem um milhão de palavras mas nenhuma é capaz, ah, nenhuma delas pode ser capaz de lhes mostrar o que foi, quem pode me culpar por isso?
Meu ser é um punhado de estilhaços que se rompem sem piedade todas as manhãs.
E o vazio que me consome, corrói as beiradas da minha existência sem pudores, destrói a calmaria das minhas noites.
Só encontro paz na dor.
Não nomeio alguém, deixo ao acaso, não quero que seja eu a dizer.
Não haveria de fazer qualquer diferença em todo o caso.
Nada tem significado, o sofrimento humano, os atos recíprocos, as horas mortas passadas sem que ninguém perceba.
segunda-feira, 4 de junho de 2018
Sigo.
Sigo, os dias carregam consigo a verdade e eu não sei virar meu rosto.
Sonhei por horas contigo.
O seu rosto não pude ver, mas tenho certeza, era você.
Eu quero ir, quero desesperadamente ir ao seu encontro.
Porem me foi aconselhado que eu não fosse.
Me disseram que haveria de ser melhor dessa forma.
Minha mente indigna-se com tais afirmações.
Tenta se enganar mas é impossível fechar meus olhos uma vez que eu os abri, é impossível tornar indistinguível a tua imagem uma vez que a tive diante de mim.
Ela se tornou eterna a partir desse momento. Inexoravelmente eterna.
Em meu cotidiano encontro recorrente a ideia de que já não posso mais, não sou capaz de suportar a realidade.
Sigo, incoerentemente.
Pelos caminhos onde me perco, meus olhos se deparam a cada instante com as verdades absolutas que estão sempre dispostas para que todos as vejam - são puras, queimam a pele macia e desfazem os sonhos em pó.
Não existe nada de admirável nelas, são apenas intragáveis intransponíveis, e em meu ser não encontro meios de fazê-las sumir... ou quem sabe torna-las um pouco menos disto que não me agrada.
A vida se compõe disto, cujo controle não se é passível conquistar através de qualquer meio, porém não permito que a minha vontade seja suprimida por este fato tão comum.
Em todos os espaços - inconvenientes - me invadem, e eu permito que engasguem meu ser, permito ao seu amargor que me sufoque, pois sou tão palpável quanto o seu veneno amargo, não me seria possível negar.
Sigo, a minha essência se faz disso.
A minha vontade ultrapassa toda a amórfica massa cinzenta que envolve o cotidiano, ela me move mais a frente - e um pouco mais - todos os dias.
Ela me deixa a repousar plácida nos campos dourados, vento que afaga meu ser afável, e eu pego fôlego no bater de asas dos pássaros que desavisados sobrevoam livres (por enquanto) impunes diante o caos.
Meu coração se aperta de novos jeitos, o espaço que foi dado a ele é insuficiente por isso tenta - de todas as formas - se encaixar. Enquanto possuir capacidade ilimitada de encontrar outra posição, latejante-dolorido-vermelho-órgão jamais sucumbirá.
Sigo em frente, apago as palavras que quis te dizer no outro dia agora são todas inúteis você pode ver.
Nunca sairão de minha boca, nunca partirão de meus pensamentos e divagações noturnas.
O vento que bate na copa das árvores agrada ao meu coração e me concentro calma, tentando entender a mensagem que ele pretende estender aos meus sentidos.
Quando estico as costas no chão úmido algumas coisas que eu costumava amar perdem seu sentido.
Talvez fosse apenas isso que procuravam me dizer.
Há dias em que a angústia se faz todo meu ser, não consigo me aquietar, não posso coibir o que há em mim.
Sigo, e apago os meus passos exitantes até sua imensidão incerta.
Todas as minhas células choram na inércia, dentro de mim viajo milhas para longe, semanas e semanas estagnada no mesmo espaço.
Pequenas alterações quase imperceptíveis, porquê me importo em saber?
Há dias em que a tua existência parece tocar algo além de meus olhos... entretanto estou inclinada a pensar excessivamente, é preciso me conter.
Há qualquer imprevisível brilho que surge e que rapidamente se desfaz na escuridão, e então, estou submersa em confusão.
Há dias em que eu não posso negar-te, tua montanhosa existência cobre o sol, boca que diz palavras banais mas não consigo escutar, estou submersa em contemplação, estática.
Minha cautela terminou logo ali, onde começaram as suas mãos.
Seus pequeníssimos belíssimos detalhes são pesados demais para meu coração recordar.
Sua risada é muito doce para que eu possua maneiras de não me deliciar, e por ela pedir, mais, mais, mais, mas.
Sigo para então me perder logo adiante.
Nada pode me parar.
Veemente a verdade me toca - e o faz propositalmente - é necessário que eu não me afogue nesses sonhos, não de forma irreversível.
Meu corpo luta sem forças por um dia a mais, sabor agridoce nos lábios, sorriso a meia-luz e eu não sei mais.
Eu me percebo a impor esta dor como remédio, esse abandono como única companhia, esse silêncio como única resposta, o que será de minha luta?
O que será deste ser?
Poeira cósmica nunca permanece por muito tempo no mesmo lugar.
Sigo. É necessário seguir.
Meu comprimido coração valente sempre a ecoar a harmônica melancólica melodia que apenas a morte haverá de calar.
Sonhei por horas contigo.
O seu rosto não pude ver, mas tenho certeza, era você.
Eu quero ir, quero desesperadamente ir ao seu encontro.
Porem me foi aconselhado que eu não fosse.
Me disseram que haveria de ser melhor dessa forma.
Minha mente indigna-se com tais afirmações.
Tenta se enganar mas é impossível fechar meus olhos uma vez que eu os abri, é impossível tornar indistinguível a tua imagem uma vez que a tive diante de mim.
Ela se tornou eterna a partir desse momento. Inexoravelmente eterna.
Em meu cotidiano encontro recorrente a ideia de que já não posso mais, não sou capaz de suportar a realidade.
Sigo, incoerentemente.
Pelos caminhos onde me perco, meus olhos se deparam a cada instante com as verdades absolutas que estão sempre dispostas para que todos as vejam - são puras, queimam a pele macia e desfazem os sonhos em pó.
Não existe nada de admirável nelas, são apenas intragáveis intransponíveis, e em meu ser não encontro meios de fazê-las sumir... ou quem sabe torna-las um pouco menos disto que não me agrada.
A vida se compõe disto, cujo controle não se é passível conquistar através de qualquer meio, porém não permito que a minha vontade seja suprimida por este fato tão comum.
Em todos os espaços - inconvenientes - me invadem, e eu permito que engasguem meu ser, permito ao seu amargor que me sufoque, pois sou tão palpável quanto o seu veneno amargo, não me seria possível negar.
Sigo, a minha essência se faz disso.
A minha vontade ultrapassa toda a amórfica massa cinzenta que envolve o cotidiano, ela me move mais a frente - e um pouco mais - todos os dias.
Ela me deixa a repousar plácida nos campos dourados, vento que afaga meu ser afável, e eu pego fôlego no bater de asas dos pássaros que desavisados sobrevoam livres (por enquanto) impunes diante o caos.
Meu coração se aperta de novos jeitos, o espaço que foi dado a ele é insuficiente por isso tenta - de todas as formas - se encaixar. Enquanto possuir capacidade ilimitada de encontrar outra posição, latejante-dolorido-vermelho-órgão jamais sucumbirá.
Sigo em frente, apago as palavras que quis te dizer no outro dia agora são todas inúteis você pode ver.
Nunca sairão de minha boca, nunca partirão de meus pensamentos e divagações noturnas.
O vento que bate na copa das árvores agrada ao meu coração e me concentro calma, tentando entender a mensagem que ele pretende estender aos meus sentidos.
Quando estico as costas no chão úmido algumas coisas que eu costumava amar perdem seu sentido.
Talvez fosse apenas isso que procuravam me dizer.
Há dias em que a angústia se faz todo meu ser, não consigo me aquietar, não posso coibir o que há em mim.
Sigo, e apago os meus passos exitantes até sua imensidão incerta.
Todas as minhas células choram na inércia, dentro de mim viajo milhas para longe, semanas e semanas estagnada no mesmo espaço.
Pequenas alterações quase imperceptíveis, porquê me importo em saber?
Há dias em que a tua existência parece tocar algo além de meus olhos... entretanto estou inclinada a pensar excessivamente, é preciso me conter.
Há qualquer imprevisível brilho que surge e que rapidamente se desfaz na escuridão, e então, estou submersa em confusão.
Há dias em que eu não posso negar-te, tua montanhosa existência cobre o sol, boca que diz palavras banais mas não consigo escutar, estou submersa em contemplação, estática.
Minha cautela terminou logo ali, onde começaram as suas mãos.
Seus pequeníssimos belíssimos detalhes são pesados demais para meu coração recordar.
Sua risada é muito doce para que eu possua maneiras de não me deliciar, e por ela pedir, mais, mais, mais, mas.
Sigo para então me perder logo adiante.
Nada pode me parar.
Veemente a verdade me toca - e o faz propositalmente - é necessário que eu não me afogue nesses sonhos, não de forma irreversível.
Meu corpo luta sem forças por um dia a mais, sabor agridoce nos lábios, sorriso a meia-luz e eu não sei mais.
Eu me percebo a impor esta dor como remédio, esse abandono como única companhia, esse silêncio como única resposta, o que será de minha luta?
O que será deste ser?
Poeira cósmica nunca permanece por muito tempo no mesmo lugar.
Sigo. É necessário seguir.
Meu comprimido coração valente sempre a ecoar a harmônica melancólica melodia que apenas a morte haverá de calar.
domingo, 27 de maio de 2018
Morte III
Naquele final de tarde//final de era
Andei em sua direção
Exceto que não era você
Desesperada
Mas os passos contidos em meio a imensidão de corpos que
- incoerentemente -
se agrupavam ao seu redor
Todos ali já sabiam
Mas suspiros de alívio ou seria somente o pútrido amor que impregnava aquele ar?
Escolhas inconscientes pesam os dias de dor, e eu nunca soube
Quando o momento de desaparecer finalmente nos alcançou, eu não soube precisar de nenhum modo a sua eminente chegada não pude estar preparada para ela
Meu corpo estremeceu, como costuma fazer todas as vezes
Fora de controle, num uníssono choro, encontrou alento apenas quando se uniu aos outros corpos
e apagou-se em multidão
Caixote de madeira&flores&adornos
Dentro de um padrão estético desejável, mas quem os desejaria de qualquer forma?
Estaríamos todos histéricos, ou estaríamos todos sãos?
Andei na sua direção, porque não seria eu capaz de acreditar?
Assisto, e como sempre, me calo
Sou platéia, protagonista e roteirista desta mesma dor
Assisto mas não acredito naquilo que assisto
Semblante sereno diante de mim - ainda seria ele passível de ser nomeado "um semblante"?
Prescrutei cada centímetro, cada detalhe, corpo fixo como se estivesse ali desde sempre
exceto que nunca esteve mas mente agitada, incongruente, desconexa
Puseram o sorriso em ti? Ou fui eu quem o pus?
Procurei pelo céu para acalentar a irremovível vertente de dor
que escorria
- vergonhosamente -
das minhas órbitas oculares
e ele que se fez rosado diante a todo o sofrimento
não pretendeu contradizer a realidade palpável
pelo contrário pesou mais forte
esmagou-me em lamentos febris
com sua paleta cor-de-rosa
e palavras amigas
que não diziam verdades
diziam apenas o que acreditavam ser o mais adequado, eu me farto disto facilmente
Andei - cautelosamente - uma última vez em direção a você
Exceto que eram apenas os seus
Que estavam de fato ali
Derrotada e dormente
Mas os passos firmes e admirei profundamente aquele sorriso
Era um sorriso por acaso, ou fui eu quem viu um sorriso ao acaso?
Irrelevante
Mas coração em chamas e nada que o possa acalmar
Mas calado choro em conformidade com a calada partida
Mas absortas mãos a tocarem cabelos repetitivamente
Seriam chamados de cabelos humanos mesmo assim?
Senti-os como se fossem os de um boneco-de-pano,
e, no momento seguinte,
Parecia-me que eu iria
- finalmente -
irromper em dor, nada mais suportar e para fora despejar tudo o que aqui ainda há
Foi apenas uma sombra que pairou poucos instantes sobre mim
Até o momento em que, absolutamente vazia de sensações, me percebi a caminhar pelas ruas e observar as árvores como se nada se passasse de diferente dentro de mim.
Andei tranquilamente para o azul anil que pintou o céu sem fim
apagou o tom carmin
andei na direção
em que sonhei
um dia te encontrar
alguma outra vez
E segui desde então sem nunca mais tornar a ver
sorrisos da mesma forma em qualquer ser.
Andei em sua direção
Exceto que não era você
Desesperada
Mas os passos contidos em meio a imensidão de corpos que
- incoerentemente -
se agrupavam ao seu redor
Todos ali já sabiam
Mas suspiros de alívio ou seria somente o pútrido amor que impregnava aquele ar?
Escolhas inconscientes pesam os dias de dor, e eu nunca soube
Quando o momento de desaparecer finalmente nos alcançou, eu não soube precisar de nenhum modo a sua eminente chegada não pude estar preparada para ela
Meu corpo estremeceu, como costuma fazer todas as vezes
Fora de controle, num uníssono choro, encontrou alento apenas quando se uniu aos outros corpos
e apagou-se em multidão
Caixote de madeira&flores&adornos
Dentro de um padrão estético desejável, mas quem os desejaria de qualquer forma?
Estaríamos todos histéricos, ou estaríamos todos sãos?
Andei na sua direção, porque não seria eu capaz de acreditar?
Assisto, e como sempre, me calo
Sou platéia, protagonista e roteirista desta mesma dor
Assisto mas não acredito naquilo que assisto
Semblante sereno diante de mim - ainda seria ele passível de ser nomeado "um semblante"?
Prescrutei cada centímetro, cada detalhe, corpo fixo como se estivesse ali desde sempre
exceto que nunca esteve mas mente agitada, incongruente, desconexa
Puseram o sorriso em ti? Ou fui eu quem o pus?
Procurei pelo céu para acalentar a irremovível vertente de dor
que escorria
- vergonhosamente -
das minhas órbitas oculares
e ele que se fez rosado diante a todo o sofrimento
não pretendeu contradizer a realidade palpável
pelo contrário pesou mais forte
esmagou-me em lamentos febris
com sua paleta cor-de-rosa
e palavras amigas
que não diziam verdades
diziam apenas o que acreditavam ser o mais adequado, eu me farto disto facilmente
Andei - cautelosamente - uma última vez em direção a você
Exceto que eram apenas os seus
Que estavam de fato ali
Derrotada e dormente
Mas os passos firmes e admirei profundamente aquele sorriso
Era um sorriso por acaso, ou fui eu quem viu um sorriso ao acaso?
Irrelevante
Mas coração em chamas e nada que o possa acalmar
Mas calado choro em conformidade com a calada partida
Mas absortas mãos a tocarem cabelos repetitivamente
Seriam chamados de cabelos humanos mesmo assim?
Senti-os como se fossem os de um boneco-de-pano,
e, no momento seguinte,
Parecia-me que eu iria
- finalmente -
irromper em dor, nada mais suportar e para fora despejar tudo o que aqui ainda há
Foi apenas uma sombra que pairou poucos instantes sobre mim
Até o momento em que, absolutamente vazia de sensações, me percebi a caminhar pelas ruas e observar as árvores como se nada se passasse de diferente dentro de mim.
Andei tranquilamente para o azul anil que pintou o céu sem fim
apagou o tom carmin
andei na direção
em que sonhei
um dia te encontrar
alguma outra vez
E segui desde então sem nunca mais tornar a ver
sorrisos da mesma forma em qualquer ser.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Olhares impotentes que nunca me deixam só
Todos os dias eu sinto o peso de seus olhares pousados sobre mim.
Minha dor cria gravidade e os atrai continuamente.
Nos momentos em que estou só não tenho esse peso adicional, fico apenas com o meu, velha companhia.
E ele já é o suficiente para partir-me, eu não desejo por mais...
Mas esses olhares me pousam de forma natural, nunca os clamei entretanto não os posso negar.
Mas esses olhares me pousam de forma natural, nunca os clamei entretanto não os posso negar.
Eles me acompanham onde vou - não importa com quem estou - não importa se diante deles me sinto falante de alguma misteriosa língua a qual não se é possível, através de qualquer meio, compreender.
Em suas vagas contemplações - ///intransponíveis barreiras me cercam/// - mas não há formas de que entendam que eles que não podem, eles jamais poderão me tocar.
Mas nada impede esses olhos de me encontrarem /sentinelas/ todos os dias dolorosamente repousados sobre a minha existência.
Abruptos eles invadem meu ser. Eu desejaria para-los se eu pudesse.
Não possuem piedade alguma enquanto agitam tempestades em meu ser.
Sei que não são maldosos, mas me esfacelam - retiram-me a perspectiva de forma brusca.
Eu sei que não intencionam criar-me qualquer tipo de dor, mas servem-me como demonstração da realidade inegável de tudo o que houve e de tudo o que me foi renegado ser.
Catastroficamente os batimentos cardíacos nunca cessam.
Venenosamente a minha consciência reflete de forma ilimitada em noites frias.
Contrastando existências dentro de mim, acusando, gritando o que não pode ser solucionado.
Não se pode retirar as venenosas vozes, pois profundamente em mim estão cravadas e sem limites elas ressonam, sem expectativa alguma de que um dia possam parar.
E sobre elas pesam esses olhares e sobre os olhares pesam essas verdades /indizíveis-impregnáveis-inegáveis/ e sobre elas pesa a certeza de que nunca haverá maneira de consertar tudo o que houve.
E tudo isso está sobre mim todo o tempo.
Já não sei quem sou, se sou dor, impotência ou pesares apenas.
Se sou apenas o que esses olhos pousados em mim são capazes de perceber.
Se sou apenas esses olhares dirigidos ao meu ser,
O que resume Anna Karenina? Quem sou eu?
Ás vezes tenho medo de saber, e ás vezes, tenho certeza de que não existem definições possíveis e nem o porquê de que existam.
Não sei onde estou ou em que lugar posso me encontrar.
Existência esmagada - sufocada - sofrivelmente só.
No meio de tudo isso, nada alem de dor é distinguível aos meus olhos, que nunca sabem se olham para fora ou para si, quando a paisagem nunca muda de qualquer forma.
Em suas vagas contemplações - ///intransponíveis barreiras me cercam/// - mas não há formas de que entendam que eles que não podem, eles jamais poderão me tocar.
Mas nada impede esses olhos de me encontrarem /sentinelas/ todos os dias dolorosamente repousados sobre a minha existência.
Abruptos eles invadem meu ser. Eu desejaria para-los se eu pudesse.
Não possuem piedade alguma enquanto agitam tempestades em meu ser.
Sei que não são maldosos, mas me esfacelam - retiram-me a perspectiva de forma brusca.
Eu sei que não intencionam criar-me qualquer tipo de dor, mas servem-me como demonstração da realidade inegável de tudo o que houve e de tudo o que me foi renegado ser.
Catastroficamente os batimentos cardíacos nunca cessam.
Venenosamente a minha consciência reflete de forma ilimitada em noites frias.
Contrastando existências dentro de mim, acusando, gritando o que não pode ser solucionado.
Não se pode retirar as venenosas vozes, pois profundamente em mim estão cravadas e sem limites elas ressonam, sem expectativa alguma de que um dia possam parar.
E sobre elas pesam esses olhares e sobre os olhares pesam essas verdades /indizíveis-impregnáveis-inegáveis/ e sobre elas pesa a certeza de que nunca haverá maneira de consertar tudo o que houve.
E tudo isso está sobre mim todo o tempo.
Já não sei quem sou, se sou dor, impotência ou pesares apenas.
Se sou apenas o que esses olhos pousados em mim são capazes de perceber.
Se sou apenas esses olhares dirigidos ao meu ser,
O que resume Anna Karenina? Quem sou eu?
Ás vezes tenho medo de saber, e ás vezes, tenho certeza de que não existem definições possíveis e nem o porquê de que existam.
Não sei onde estou ou em que lugar posso me encontrar.
Existência esmagada - sufocada - sofrivelmente só.
No meio de tudo isso, nada alem de dor é distinguível aos meus olhos, que nunca sabem se olham para fora ou para si, quando a paisagem nunca muda de qualquer forma.
sexta-feira, 13 de abril de 2018
universo deturpado pela dor
Minha realidade derrete sobre meu corpo - venenosa - impalpável para todos os outros mas á mim ácido na pele morena e macia, á mim fumaça densa e asfixiante que invade abruptamente os pulmões.
Á mim terror noturno que não deixa brechas para descansar, e que rasga meu corpo inocente, puramente vil.
Sucumbo só envolvida em minha pútrida escuridão - e por debaixo de minha pele, e por entre os meus ossos - tempestades ácidas tomando conta de tudo e a tudo derretem com sua força, com sua vontade colossal.
Necessito sobrevive-las, mais um dia, e talvez mais outro, mas há dias em que não possuo perspectiva de sucesso.
Necessito vencer este íngreme caminho diante de meus olhos, árduo e perverso mas há dias que se estendem dolorosamente e em que no meu ser talvez cesse de existir todas as coisas boas e puras que o fazem seguir.
Há fatos que só podemos lamentar e desejar - inutilmente - sobre a sua não-ocorrência.
Entretanto de minha boca não saem palavras, o sangue frio controlou minha língua.
Há palavras pretensiosas em meus ouvidos a ressonar.
Sempre iguais, nunca dizem o que pretendem dizer.
Há um certo absolutismo que me assiste através de olhos alheios, que avaliam e que prescrevem objetivamente, esperando de mim um pouco do mesmo.
Há - incontáveis e ameaçadoras - rachaduras nos pilares que estruturam todo este ser.
De onde escapa esta luz, esta coisa, essa inominável essência.
Há objetos que trago comigo, em meus bolsos ou refletidos em minha alma que veementes recordam suas outras existências em outras realidades de outros tempos.
Eles são parte de mim até mesmo quando os abandono por aí.
Minha realidade é disforme, desfocada e outros não conseguiriam a ela resistir - displicentes com os olhos calmos - caminhando sob as árvores assistindo a luz se dissipar por entre folhas e galhos.
Minha realidade é ácida, é inexplicavelmente corrosiva - outros não seriam capazes de aceita-la em seus parâmetros. Milhas distanciam o que vemos e nossos sentimentos de nenhuma forma coincidem.
Outros não saberiam lidar, em uma noite de junho, não conseguiriam lembrar os seus próprios nomes.
Nem entenderiam qualquer palavra que lhes dissessem, nem seus olhos haveriam de cruzar com seres vivos de qualquer espécie.
Minha flor que nasce no asfalto - não poderiam compreende-la - jamais testemunhariam os seus infindáveis esforços, a sua eterna luta pelo brilho singelo de um raio de sol ou por uma gota de chuva que venha tímida.
Não comove á ninguém o triste descaso da sola de sapato que sem perceber a esmaga e outras mais, corriqueiras, impessoais e o fazem diariamente, dentro de sua normalidade, dentro de seu padrão.
Eles pensam: "Existem jardins", e consolam seus crimes a noite.
Minha dor que se faz bela, não poderiam digeri-la com seus olhares vagos e incoesos, jamais poderiam senti-la com seus temores superficiais a nublar a realidade, de nenhuma forma poderiam reconhece-la tão isolados se encontram, em suas nuvens nos céus, em suas salas seguras no topo de suas torres cristalinas blindadas.
Qualquer atenção empregada em esforços empáticos seria impactante demais, poderia ferir a superficialidade de suas certezas, poderia desvencilhar tudo o que há - e também poderia, utópica projeção pessoal - dar-lhes o sentido real do que pretendo expressar mas que em inúmeras vãs tentativas falho miseravelmente.
Minhas mãos que lutam - jamais saberiam expressar de qualquer forma - se as amam ou se a elas se fazem indiferentes, passantes distantes de outras realidades, que nada querem saber sobre realidades tempestuosas e toda a vida que compreendem em si.
Seus olhos não haveriam de distinguir tudo o que há nesse interior corrosivo nessa forma que ainda se mantem com suas dubitáveis razões de ser.
Haveriam de criar novas patologias, novos nomes, novos espaços para me trancafiar - além do meu próprio - o qual já me aprisiona, incessantemente, sem esperanças que acabe.
Á mim terror noturno que não deixa brechas para descansar, e que rasga meu corpo inocente, puramente vil.
Sucumbo só envolvida em minha pútrida escuridão - e por debaixo de minha pele, e por entre os meus ossos - tempestades ácidas tomando conta de tudo e a tudo derretem com sua força, com sua vontade colossal.
Necessito sobrevive-las, mais um dia, e talvez mais outro, mas há dias em que não possuo perspectiva de sucesso.
Necessito vencer este íngreme caminho diante de meus olhos, árduo e perverso mas há dias que se estendem dolorosamente e em que no meu ser talvez cesse de existir todas as coisas boas e puras que o fazem seguir.
Há fatos que só podemos lamentar e desejar - inutilmente - sobre a sua não-ocorrência.
Entretanto de minha boca não saem palavras, o sangue frio controlou minha língua.
Há palavras pretensiosas em meus ouvidos a ressonar.
Sempre iguais, nunca dizem o que pretendem dizer.
Há um certo absolutismo que me assiste através de olhos alheios, que avaliam e que prescrevem objetivamente, esperando de mim um pouco do mesmo.
Há - incontáveis e ameaçadoras - rachaduras nos pilares que estruturam todo este ser.
De onde escapa esta luz, esta coisa, essa inominável essência.
Há objetos que trago comigo, em meus bolsos ou refletidos em minha alma que veementes recordam suas outras existências em outras realidades de outros tempos.
Eles são parte de mim até mesmo quando os abandono por aí.
Minha realidade é disforme, desfocada e outros não conseguiriam a ela resistir - displicentes com os olhos calmos - caminhando sob as árvores assistindo a luz se dissipar por entre folhas e galhos.
Minha realidade é ácida, é inexplicavelmente corrosiva - outros não seriam capazes de aceita-la em seus parâmetros. Milhas distanciam o que vemos e nossos sentimentos de nenhuma forma coincidem.
Outros não saberiam lidar, em uma noite de junho, não conseguiriam lembrar os seus próprios nomes.
Nem entenderiam qualquer palavra que lhes dissessem, nem seus olhos haveriam de cruzar com seres vivos de qualquer espécie.
Minha flor que nasce no asfalto - não poderiam compreende-la - jamais testemunhariam os seus infindáveis esforços, a sua eterna luta pelo brilho singelo de um raio de sol ou por uma gota de chuva que venha tímida.
Não comove á ninguém o triste descaso da sola de sapato que sem perceber a esmaga e outras mais, corriqueiras, impessoais e o fazem diariamente, dentro de sua normalidade, dentro de seu padrão.
Eles pensam: "Existem jardins", e consolam seus crimes a noite.
Minha dor que se faz bela, não poderiam digeri-la com seus olhares vagos e incoesos, jamais poderiam senti-la com seus temores superficiais a nublar a realidade, de nenhuma forma poderiam reconhece-la tão isolados se encontram, em suas nuvens nos céus, em suas salas seguras no topo de suas torres cristalinas blindadas.
Qualquer atenção empregada em esforços empáticos seria impactante demais, poderia ferir a superficialidade de suas certezas, poderia desvencilhar tudo o que há - e também poderia, utópica projeção pessoal - dar-lhes o sentido real do que pretendo expressar mas que em inúmeras vãs tentativas falho miseravelmente.
Minhas mãos que lutam - jamais saberiam expressar de qualquer forma - se as amam ou se a elas se fazem indiferentes, passantes distantes de outras realidades, que nada querem saber sobre realidades tempestuosas e toda a vida que compreendem em si.
Seus olhos não haveriam de distinguir tudo o que há nesse interior corrosivo nessa forma que ainda se mantem com suas dubitáveis razões de ser.
Haveriam de criar novas patologias, novos nomes, novos espaços para me trancafiar - além do meu próprio - o qual já me aprisiona, incessantemente, sem esperanças que acabe.
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