E agora ? - Ela me perguntou chorando. Eu não tinha resposta. Eu também me perguntava. E AGORA? Mas ninguém parecia ter a resposta. Nem mais nada.
Morreram muitos corações. E sonhos. Caiu no chão muita gente chorando e implorando pela própria vida e pelas da sua família. Caíram as paredes da minha casa e de muitas outras casas. Morreu a beleza de poder acreditar no próprio sorriso. Os sorrisos, eles também, morreram. E os olhos, sempre os olhos, estes foram os primeiros a morrer e a perder o brilho em meio as chamas. Foram os primeiros que nos abandonaram, não nos permitindo acreditar se era verdade que tudo havia desmoronado. Muito alem de nossas casas. Mas sim qualquer coisa dentro de nós que partiu juntamente ao fogo, e vidas.
Depois veio a fumaça, terrivelmente pior. Não nos permitia enxergar o que restava de nossas vidas. Que compreendiam não mais que farelos. E tijolos quebrados, e rostos cansados. Também não conseguimos contar os mortos, nem o vivos. Mas a gente ainda podia abraçar o que tinha sobrado. E abraçamo-nos. Porque nós eramos a sobra, o resto. Somente nossos corpos juntos ali, existindo. Eramos tudo o que havia. Eu e ela. E tudo aquilo nos fez perceber, que também era tudo o que nós precisávamos.
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