domingo, 1 de setembro de 2019

III (azul ciano do céu que amo)

concentrei minhas energias
estive contigo sentada a beira do mar  e ventava
seus amáveis cabelos encaracolados balançavam
e persistimos vagamente no silêncio
nas ondas
na ressaca
no vazio da auto estrada
na infindável estridente espera
no afagar de todo o corpo
                  hoje
o vento me traz de volta
fiquei horas prostrada sob tempestuoso céu a te aguardar
passos sorrateiros para nunca acordar
sua doce alma  velar   com amor
ca   ta   tô   ni   ca
conflituosamente pacifica

corpo que cala
cala                   mas diz
cala mas tem tudo a dizer
e cada centímetro de pele se preencheu de palavras
começo a pesar
debaixo das minhas unhas entre os dedos dos pés e das mãos
por todo o colchão
subitamente
todo o espaço do quarto
abri as janelas
todo o céu
e transbordando
alcançando todos os seres
e se tornando todas as coisas e
não coisas possíveis e
pingando
pelo espaço
pelo multiverso

onde não consigo evitar
e onde não posso tocar
e onde estás?

divaguei distante as possibilidades
dois corpos transformados através de um simples contato ou teria sido apenas o meu?
inexorável ausência
arrasto os dias até que o tempo me arraste e quando me refiro a você
sempre sinto uma coisa
quase que como uma tempestade solar
ou um evento ultra cósmico dentro de meu ser