sábado, 21 de dezembro de 2013

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Sinto, por vezes, seu amor fraquejar.
Percebo-o fraco, palpitante dentro das veias.
Agonizante a escorrer pelos olhos.
Ferido.
Você não deveria me fazer acreditar nele.
Você próprio não é capaz.
Cada vez mais há angústia, me parto então , em mil pedaços e espero que o vento leve cada pedacinho da minha existência para longe de ti.
Nunca acontece, porem, de passar um vento.
No fundo não desejo partir, mas dou uma chance de que me levem embora.
Por que sei, é o melhor.
É melhor partir.
Aqui não é seguro.
Mas o vento nunca vem, e eu acabo me juntando ao teu lado novamente.
Não sei quanto tempo isso pode durar, comigo a me quebrar todo o tempo, mas posso ver o dia em que o seu amor fraquejará e morrerá sem me dizer adeus se aproximando.
E tu me abandonará em uma rua escura.
Me deixará só, serei uma existência sem mais nada outra vez, tu vais me tirar o que amo.
Ao menos tenho a verdade dentro de mim, de que sou forte, e te amo mesmo assim.
Me partirei quantas vezes forem necessário.
E quando tu fores, e eu estiver só, ainda terei a mim mesma em farelos pelo chão.
Ainda serei eu mesma.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

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Há, dentro de mim, lembranças de um tempo antigo, que não passa da mesma forma agora.
Eu costumava contar os dias ausentes.
Dividi-los por cores, numera-los por intensidade, nomeá-los - classificando-os - como por exemplo coração partido, sorriso agudo e mãos incapazes de se moverem.
Os minutos na tua ausência eram tão eternos, e eu os passava, tranquilamente, a contar os buracos na parede, a sorrir para as nuvens e a conversar com a pequena Pantera... a minha gatinha.
Estive sempre conformada com a sua ausência constante, aceitei facilmente me desprender do mundo para prender-me somente a você, para mim era uma escolha óbvia.
Entretanto isso fez com que eu estivesse sempre só, e nunca pudesse dividir minha dor com quem quer que fosse. Com você eu jamais a dividiria, não era capaz de lhe causar nenhum sofrimento se quer. Sempre fiz tudo ao meu alcance para te fazer sorrir.
Quando a tua ausência durava horas, então podia sentir que um pouquinho de loucura me tocava, e eu me controlava, não podia ceder de maneira alguma, necessitava estar sã - para agradar ao meu amor quando ele voltasse.
Confesso que era preciso muito auto-controle, e acima disso, uma esperança muito pura - uma certeza entorpecente, de quê tu irias voltar.
Mas é claro que eu sentia medo que tu nunca viesse... Porem ainda sim, lhe esperaria para sempre ou lhe procuraria se fosse necessário.
Afinal tu fostes a luz e a escuridão que eu via.
Tu fostes a minha única companhia.
Tu me fizestes ser assim.
Silenciosa e amedrontada.
Aprisionaste-me dentro da tua mente e corpo, e lá - estando sempre só, pois estavas ausente até mesmo quando estavas ao meu lado - eu pude pensar e ver as coisas mais claramente.
E então percebi, o meu limite estava bem ali.
Não suportaria mais.
Não contaria os buracos da parede como uma idiota.
Então foi como se dois astros enormes estivessem colidindo dentro de mim.
Parti-me.
Parti.
Para ti, não viverei nunca mais.
Minutos, horas, dias - eu não preciso mais conta-los, nem se quer prestar atenção se eu quiser.
São todos meus.
Só meus.
Eu não preciso mais esperar-te.
Nem preciso estar sempre só.
Não preciso nomear nada.
Não preciso sentir medo.
O tempo é outro agora.
É devagar porem leve.
Não há nenhum nome - por mais complexo e cheio de significados que seja - capaz de descrevê-lo de forma correta.
Nem é preciso, pois vivo muito mais do que antes. Não tenho mais tempo pra classificar lembranças.
É um tempo puro de sentimentos bons.
E cheio das minhas decisões e erros.
Afinal, é da minha vida que se trata.
Posso ser tão errada como você, mas sou eu mesma.
E foi isso - admito - que eu levei um certo tempo para perceber.