sábado, 24 de dezembro de 2011

meu coraçãozinho de boneca.

Meu coração é pequeno. Cabe na palma da minha mão, que também, é
pequena. Eu inteira sou pequena, e muitas vezes fui insuficiente. "não é
boa o bastante" às vezes me diziam. e marcaram, com letras maíusculas,
bem grandes (marcaram em todo o meu corpo, já que ele é pequeno)
marcaram "não é o suficiente".

Meu coração é pequeno. Cabe na palma da sua mão, até sobra espaço pra
mais dois iguais, mas coração igual ao meu não existe. Ele já foi muito
vazio, e muito triste. Agora ele não é mais, mas ele é mole, apalpe,
apalpe. Sinta os sulcos que ainda estão para serem preenchidos, eu sei,
ainda são muitos, mas estamos fazendo um ótimo trabalho, eu e ele sabe?
Sabe sim.

Meu coração é pequeno, não cabe quase ninguém, é que eu também não
permito a entrada de visitantes, às vezes eu sinto vergonha dele, por
ser tão pequeno, cabe na ponta dos meus dedos, e escorrega, escorrega
demais.

Meu coração é pequeno, mas não significa que eu ame menos que as outras
pessoas, não significa que eu sofra menos que as outras pessoas, há
muito preconceito contra pequenos corações, todos querem ter corações
grandes e esticam, esticam, esticam até rebentar de tanta gente, de
tanta coisa. mas eu acredito que isso apenas torna tudo mais banal
entende? É claro que entende. Eu não sei, se você pode ter tudo, então
você não dará valor a nda, você está cheia, é pesada, muitas coisas pra
pensar, muitas coisas para saber. mas todos sempre insistem em ter
corações tamanho GG que caiba todo mundo, até os desconhecidos. Mas eu
não amo o mundo inteiro. Eu não.

Meu coração é pequeno, é mole de incerteza e medo. Estamos concertando
essa parte também, eu e ele. Cabe na sua mão, pegue, pegue. Você pode,
eu deixo.

É, ele é leve, mas não é vazio, veja, há sangue nele também, mas apenas
por dentro, ele não sangra mais. Mas há, sim ainda há cicatrizes para
curar, temos tempo, e amor para fazer isso, eu sei eu sei.

Meu coração é pequeno, nem sabe amar direitinho, eu tento ensina-lo o
pouco que sei, mas ele é como eu, é muito difícil. Não faz de propósito,
mas ele (como eu) detesta ordens e imposições. É muito difícil de lidar
com ele, eu já disse, ele é como eu, ele também não entende as coisas
direitinho. é muito bobo, muito ingênuo. Precisa que expliquem tudo
cruamente, sem meias-palavras.

Meu coração é muito pequeno, ele já desejou não bater, ele já foi frio,
ele já foi quente, muito quente, impossível de tocar sem se queimar, por
isso eu o mative algum tempo, em um pequeno pote, dentro de uma gaveta,
no meu criado-mudo, do lado da minha cama, no meu sotão secreto. é, ele
estava bem escondido. mas eu morria de medo, naquela época meu coração
latejava de dor, e o mínimo toque representava uma dor mais que
insuportável.
E eu sentia muita vergonha, por ele não ser do tamanho desejado pela
maioria das pessoas, sabe? Não, acho que talvez isso seja mais difícil
de entender, mas não tem problema, você está me ouvindo e pra mim isso
já é ótimo. mas eu sentia muita vergonha, por ele ser tão pequenino,
porque todo mundo queria um coração enorme, onde cabe toda a família, e a
vizinhança e mais uns 10 ou 15 conhecidos dos seus conhecidos. Mas não
era assim, nem nunca será. Primeiro porque eu não preciso de tanta
gente, eu preciso das pessoas certas (mesmo que às vezes elas achem que
não são as pessoas certas), segundo eu não vejo motivo/obrigação para abrigar qualquer visitante ingrato que apareça.

Meu coração é muito pequeno, certa vez eu o perdi, eu lembro, era outono e haviam folhas e mais folhas no chão. Eu o havia perdido, é isso que acontece quando se deixa o coração assim, quando se dá ele ao primeiro desavisado que aparece, ele não podia tê-lo, então o perdeu. Eu lembro, era outono, e eu revirei as folhas secas até achar, todo sujo e sozinho o meu coraçãozinho de boneca. Mas eu o levei pra casa, e cuidei dele, porque eu já tinha aprendido que se eu não cuidasse ninguém cuidaria, não é? Bem, agora não é mais assim, ele me cuida, ele quem cuida do meu coraçãozinho de boneca.

Meu coração é muito pequeno, ele ama, ele sente, e ele tem alguém. Não importa qual o tamanho dele, ou quantas cicatrizes ele carrega. Meu coração é muito pequeno, mas ele ama. E não importa quantas vezes ele ficou sozinho, e quantas vezes ele sangrou. Ele é um coração, não, ele não é como os outros corações. Mas quem disse que ele precisa disso? Ou que eu preciso disso?

Meu coração é muito pequeno, e muito amado. Também é muito feliz, e é só isso que importa agora.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Você

Eu tive vontade de morrer. Morrer apenas pela ignorância em relação aos seus pensamentos. Mas eu queria o que? As coisas sempre foram incertas, eu deveria já ter me acostumado. É que eu não sei. Não sou boa com adivinhações. Mas os seus olhos, eu nem preciso adivinhar: estão mortos. Os meus também, mas eu não me importo tanto assim comigo. É que enquanto houvesse vida em seus olhos eu ainda poderia lutar por mim e por você. Eu ainda teria alguma chance remota e fazer tudo acabar bem. Mas agora eu não sei.
Eu tive vontade de gritar. Apenas gritar o mais alto que eu pudesse, talvez você pudesse me ouvir em algum lugar dentro de você. Mas do que adianta? Talvez você não deseje estar ao meu lado outra vez. E eu posso mudar isso? É algo que depende apenas de você. Eu apenas posso te esperar, e espero ansiosamente as suas mãos e os seus abraços, a sua pele, o seu carinho e a sua voz dizendo: Tudo bem, tudo bem agora, Já passou, já passou.
Eu tive vontade de correr. Correr para o buraco onde você se escondeu. Mas eu não sei onde fica. Então eu correria seguindo meu coração, ou o seu. Mas se o seu coração não bate mais, como eu poderia ouvi-lo? Seria impossível. Mas eu não ligo se as coisas são possíveis, eu apenas corro sem pensar. Apenas desejaria que você entendesse isso. Se você apenas pudesse escutar a minha voz. Mas você não pode, ou talvez você não queira. Eu queria que você escutasse apenas uma vez.
Eu tive vontade de morrer. E não passa.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

o meu sotão seguro.

eu guardo
bem no alto
longe de todas as facas
longe de todas as mãos
que insistem em querer tocar
que insistem em querer cortar
que insistem em querer pegar
a maior reliquia de mim mesma.
é difícil explicar
eu reservei um lugar
bem no sotão de mim
um lugar do tamanho de um quarto
onde eu guardo a mim mesma.
me mantenho lá
sentada e só
vivendo apenas de mim mesma
me mantenho lá
com toda a luz e toda a sombra
eu me mantenho lá
porque eu tenho medo.
lá fora é muito difícil.
ás vezes eu escapo
saio correndo de dentro de mim
e invado algum outro lugar
em alguma outra pessoa
ás vezes eu me perco
ás vezes eu me machuco
e ás vezes, eu não volto cedo.
eu sempre acabo voltando, porque de verdade
eu gosto do meu quarto.
gosto de viver nesse sotão.
gosto de respirar o meu ar
gosto de sentir os meus sentimentos
quando se trata de mim mesma
eu entendo tudo.
sei cuidar de mim
sei o que eu quero
eu sou inconstante
sim, sou
mas eu me conheço.
as surpresas fazem parte de um mundo que às vezes é previsível demais.
é difícil de entender...
é que eu já me acostumei
com as minhas idas e vindas.
já me acostumei com as minhas mentiras pra disfarçar a dor
é só não ligar.
essa é a ideia.
que não percebam.
é muito bom
o meu quarto no sotão de mim mesma.
é muito aconchegante, eu conheço cada buraco na parede, cada cor, cada dor de mim mesma.
cada mínimo detalhe
eu conheço isso, posso andar de olhos fechados, posso me atirar de cabeça.
eu tenho certeza de tudo.
então eu mesma pergunto antes mesmo que você pergunte:
porque eu vou embora?
eu fico entediada com tanta segurança e procuro alguma aventura.
eu volto pro quarto sempre que posso, para cuidar de mim.
lá fora é muito perigoso, e eu sempre me machuco porque sou muito boba.
mas eu sempre vou, porque eu acredito em tudo.
é o que eu disse, sou boba.
não adianta, não adianta.
eu nunca aprendo com as feridas.
lá vou eu, lá vou eu.
não se importe se eu demorar.
não se importe se eu estiver sangrando quando eu voltar.
já é normal.
adeus.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

moça.

ah mocinha porque está chorando?
é, essa queda foi feia.
mas foi apenas uma queda.
do quinto andar.
ah mocinha, você é tão linda, porque continua chorando?
não chore, não chore.
a culpa não é sua.
a culpa é dele.
você é forte.
suas pernas ainda conseguem sustentar o seu corpo miúdo?
seu coração, ele bombeia apenas sangue, ou ainda há algum sentimento ai dentro de você, pequena?
eu sei, eu sei. está doendo.
mas a culpa não é sua como eu disse antes.
ele foi fraco. ele não te segurou. ele te deixou cair.
eu sei, foi uma queda e tanto, mas você está viva, não ignore isso.
você está viva, e alguma coisa vive dentro de você, certo?
não mate isso.
eu sei que você apenas deseja dormir para sempre agora.
mas não é isso que você deve fazer.
eu sei que você deseja apenas ficar sem mover nenhuma parte desse corpo pequeno e quebrado, sem comer, nem dormir, até, até definhar totalmente.
mas entenda bem que isso é você mesma que está fazendo.
ele foi fraco.
ele te deixou cair.
ele não vai voltar.
apartir de agora, você deve assumir o controle.
ele não pode lhe faezr mais nada, porque ele está longe.
então não machuque a si mesma mocinha.
você é forte.
acredite.
suas pernas conseguem te sustentar?
o seu coração, ele parou de sangrar?
ah mocinha você é linda quando chora, mas eu prefiro mil vezes ouvir o som da sua risada.
ria verdadeiramente para mim.
não uma daquelas gargalhadas falsas qua você dá.
ria de verdade.
você merece, você merece muito mais.
e logo virá.
por outros sorrisos, por outros amores, por outras pessoas.
por pessoas mais fortes, de preferência.
a culpa não é sua.
ele quem foi fraco.
você foi forte desde o início.
mas todos já esperavam a sua queda mocinha.
só você acreditou nele.
só você.
agora levante e sorria.
todos te esperam.
eles acreditam em você.
você é forte.
continue, para o alto mais uma vez.
para o alto.
para o alto.
de volta para si mesma.
de volta para a felicidade.
eu sei que você é capaz.
pode parecer o fim do mundo, quando você cai, quando dói.
eu sei, o chão é duro, é frio.
mas disso você não passa.
e eu sei que você é forte pra levantar.
eu sei, você perdeu muita coisa.
eu sei, você o ama.
mas, ah, não há o que se possa dizer para melhorar um coração partido não é?
talvez o silêncio também não ajude.
mas isso passa moça.
isso passa.
pode demorar. mas passa.
eu sei que todos os corações partidos são tristes, oh tristes demais.
mas você é forte. você aguenta.
levanta, vem aqui do meu lado.
eu sei, você só deseja ele ao seu lado.
quantas vezes eu vou ter que repetir que ele não vai voltar?
portanto não fique esperando ele ai no chão não moça.
ele não vem, eu sinto muito.
ele não vem, eu sinto tanto.
ele não vem, ele nunca vai vir lhe buscar.
não adianta moça, não adianta esperar ele ai.
você merece mais.
o melhor que você pode fazer agora é se levantar, acredite.
acredite em você, acredite em você como ele não foi capaz de acreditar.
suas pernas, elas vão ficar paradas ai?
seu coração, ele quase não bate mais, você vai deixa-lo morrer?
não, não faça isso consigo mesma moça.
não seja igual a ele.
eu sei, você o ama.
mas você precisa cuidar de si.
já que você é a única pessoa que pode te ajudar agora.
apenas você.
seja forte.
isso, levanta, me dá a mão, vem comigo.
e o resto, o resto vem.

oi

depois de decidir não postar, eu percebi que eu preciso disso.
preciso das palavras, e se elas me abandonam então eu corro atras delas.
certo?
voltarei a postar.
não para aquele você.
não ele já está morto.
mas para mim.
chega de dizer adeus a tudo o que eu amo, não é?

FODA-SE VOU POSTAR.

eu posso querer te remoer
e repetir
para sempre
em voz bem baixa
quase inauditível
que eu sempre te amarei
não deixa de ser verdade
mas você estará sempre longe
e isso também
é verdade
eu posso querer manter você vivendo dentro de mim
assim jamais ficaria só
mas eu sei
é impossível alimentar
a sua sombra apenas com as lembranças
porque depois de um tempo
eu ia começar a esquecer a sua voz
e tudo me pareceria um sonho
um sonho muito bom
que eu não lembro direito
mas que sempre fará meu coração pular
e doer
com uma incerteza inútil
porque você nunca mais voltará.
estou deixando você morrer
eu não quero
eu juro
mas você não se importa e eu preciso
eu preciso continuar
pois tudo de novo
eu não sou capaz de aguentar.
eu não posso derramar mais nenhuma lágrima
por alguém que já está com outra
porque eu tenho um monte de pessoas me esperando sorrindo
e esperam que eu sorria também.
por isso vou ficar bem, por mim, e por eles.

sábado, 3 de dezembro de 2011

apagado

isso passa, isso passa.
é só isso que eu digo e ouço e leio e vejo.
está em todas as placas de carro e outdoors
também diz seu nome.
diz no meu coração
mas
agora eu sou obrigada a ver
o meu coração como uma lousa
é só giz
amor
todo esse tempo era só giz.
por isso virou pó
que voou para longe
quando você assoprou.
era só pó
era só giz
todo esse tempo
era só farelo
era só resto.
tudo o que eu tinha não era nem metade do que você era capaz de me dar.
e agora
eu preciso aceitar que eu não tenho nem a minima parte dos seus sonhos
nem um sorriso
nem um olhar de relance
nada
só vazio
vazio
vazio que inunda tudo
porque agora
eu tenho um mundo inteiro de coisas que eu nem posso sonhar
muito menos tocar
um mundo de beijos e abraços e sorrisos
que não são meus
e eu não ouso nem olhar
eu tenho até medo às vezes de quere-lo
porque eu sei
eu não posso
não é meu
nunca será
"não pode"
eu só tenho vazio
e mais um pouco
de decepção
porque você mentiu.
e eu acreditei.
eu tenho que acreditar
que o meu coração é apenas uma lousa vazia
onde eu posso escrever
com giz
o nome-de-quem-quer-que-seja
também é uma mentira não é?
mas se eu acreditei em uma
eu posso acreditar em outra.
é tudo para o meu bem.
meu coração é como uma lousa
e que importância tem alguma coisa que pode ser assoprada
e apenas isso
e acabar?
qual a necessidade de giz?
meu coração é um lousa onde é proibido escrever... esqueci.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

eu jurei jamais esquecer.

eu talhei
na pedra fria que se tornou o meu coração
eu talhei o seu nome
e jurei
jamais
esquece-lo
eu talhei com uma faca
na pedra fria que se tornou o meu coração
eu talhei o seu nome, meu amor
e não doeu
porque não passava de uma pedra fria aquele meu coração pequeno e triste.
eu talhei
na pedra fria que se tornou meu coração pequeno e triste
eu talhei
bem fundo
o mais fundo possível
eu talhei o seu nome
com uma faca
e não doeu
e eu jurei
jamais esquece-lo
e também jurei
jamais repeti-lo para quem quer que fosse
ficaria ali para todo o sempre
para que eu sempre lembrasse de você
apenas eu e você saberíamos que está talhado para sempre na pedra fria que se tornou o meu coração pequeno e triste
mas você estaria longe
longe longe
para sempre longe
então seria apenas eu
sentada em cima de uma pedra fria
e seu nome estaria talhado para sempre nela
e eu ficaria sentada
esperando a eternidade me buscar.
e tudo isso
seria para sempre,
como nós promotemos um dia.
alguma coisa seria para sempre.

sábado, 22 de outubro de 2011

girando sem parar até achar alguma coisa

e ela roda
roda
roda
e seu corpo não sente
enquanto ela roda
e roda
e roda
e seu corpo é todo indiferença
e ela roda
e talvez ela seja um poço de desprezo
e ela roda
roda sem parar
sem se importar
ela roda
e podem
pegar as facas
e podem
pegar as agulhas
e podem pegar o que quiser
e podem fazer
o que quiser
cortar
machucar
ela não sente
nada realmente a toca
nada realmente a corta
nada realmente importa.
e ela roda
roda
enquanto seus olhos
mentem e sua boca
grita e seus olhos
buscam alguma coisa a mais
e ela roda roda roda
e dor se torna apenas uma vaga lembrança
ela roda 
e tudo gira
e girando sem parar
ela sente 
alguma coisa se mover dentro dela
ela sente que existe
alguma coisa
enquanto ela roda
roda roda
sem parar
sem se dar conta
ela roda
tudo gira
gira
e o munda dá voltas.
enquanto ela
sozinha
dá voltas
em torno de si mesma.

sábado, 8 de outubro de 2011

eu precisei decidir.

 então eu decidi, viveria em um mundo sem horas, sem compromissos, onde tudo fosse possível. decidi porque você não decidiu. "faça o que você quiser" você disse. e eu fiz.
então eu decidi, sem mais lágrimas, já chega de tudo isso. "o seu teatro não me comove" você disse.  e eu pensei: "ele só pode estar de brincadeira" . mas tudo bem, ele era ariano e eu era uma cancêriana chorona e sentimental.
então eu decidi, sem mais coisinhas estranhas que estragam o meu dia. um dia fazia sol e você me disse: "eu sei anna, você é mais que isso, mas eu te entendo". tudo bem, todos tem seus dias ruins e eu tive os meus.
então eu decidi, me levantar e fazer o que eu quisesse quando eu quisesse e porque eu quisesse. eu lembro você disse: "você pode ter o que quiser anna". e eu não acreditei, achei que você estivesse sendo muito otimista.
então eu decidi, partiria em breve, para longe, para perto. partiria de você e de seu imenso vazio. certa vez você me disse: "não sei porque você me escolheu" e eu não soube, eu não soube te responder.
então eu decidi, partir. por talvez não saber responder a todas as perguntas que você me fazia impaciente. você me disse: "eu gosto de você, eu não deveria te dizer isso, não deveriamos nos dizer coisas assim" e eu lhe respondi: "te fode". porque eu não ligava, mas eu gostava de você, eu juro.
então eu decidi, partir. porque você não me olhava mais com os olhos felizes, porque você não me dizia mais: "minha indiazinha". eu sinto que eu te cansava.
que eu ficava chata. minha voz talvez te irritasse como a minha presença talvez te irritasse. eu não sei. parecia que você não era 100% quando estava comigo.
então eu decidi, partir e te deixar viver. e me deixar viver também, pois eu penso que nós dois juntos vivíamos meia-vida. e o que é meia-vida? talvez você me dissesse, me explicasse com uma voz calma e paternal. mas você não está aqui, eu já fui embora. e você não veio atrás de mim. talvez você não tenha notado que eu já não estou em lugar algum. talvez você apenas sinta um alívio. nem um vazio eu te deixei. eu não te deixei nada, apenas a parte sua que estava presa a mim. assim você poderia ser 100%.
então eu decidi, encontrar pessoas novas, quem sabe? eu lembro você me disse: "não suma assim anna" disse meio sem dizer é verdade, mas disse. e eu não queria sumir, acho que você gostava de mim ou pelo menos precisava de mim naquele momento. agora é nenhum dos dois.
seremos sempre alguma coisa um para o outro e seremos sempre dois estranhos em um bar.
seremos sempre uma mentira um para o outro e seremos sempre dois desconhecidos que andam sós, cada um com a sua solidão, na rua.

domingo, 2 de outubro de 2011

tudo derrete.

é uma boca disforme, uma única boca que derrete. derrete vazia e muda.
uma única boca que não diz absolutamente nada, porque nada é bom o suficiente para ser dito, nada é capaz de explicar. palavras são perda de tempo.
uma única boca disforme que derrete, um corpo inteiro e uma vida com todas as dores e todas as verdades e todas os amores e todas as lembranças e todas as histórias e todas as coisas que existem em uma vida que derretem. derretem na calçada. 
plasta.
todo um corpo que derrete e apenas dois olhos, estalados que te olham. e esses olhos que te olham dizem menos que a boca.
dizem menos que os gritos surdos.
dizem menos que uma palavra poderia te dizer.
é desnecessário, é realmente e verdadeiramente desnecessário repetir, mas existem um milhão de coisas e - eu me arrisco a dizer - um milhão de pessoas que não são necessárias, e que se repetem todos os dias.
por isso, eu repito, por isso e talvez por mais, porque existe tantas razões no mundo que eu me perco.
todo um corpo e toda uma vida e tudo aquilo que eu disse antes que derrete antes de poder dizer talvez antes de poder viver totalmente como uma vida deve ser vivida.
e as paredes e as pessoas e antes de tudo os sentimentos. derretem. e escorrem pela calçada e pelo chão e por tudo e por nada e talvez escorra para alguma outra dimensão. escorre.
e depois some.
todas as coisas e todas as pessoas e todas as bocas mudas e todos os ouvidos que ignoram qualquer verdade que lhes seja dita e todos os sentimentos derretem, escorrem e somem.
tudo acaba no ralo.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

um pássaro raro.

pássaro
um pássaro raro
um pássaro raro e
uma gaiola
um pássaro raro
e uma gaiola feia
com barras grossas
um pássaro raro
uma gaiola
e uma promessa falsa
falsa
falsa
um pássaro raro
preso em uma gaiola feia
com grossas
grossas barras de ferro
e um canto triste
baixo
mais baixo
um pássaro raro
esquecido em uma gaiola
com grossas e negras barras de ferro
grossas e negras e tristes
triste era o pássaro também
o pássaro raro não cantava
sua voz não era capaz
não
ela não era capaz
de atravessar as grossas e negras e tristes barras de ferro da gaiola
um pássaro raro em uma gaiola
esquecida 
esquecida
uma gaiola esquecida e feia e com barras negras e grossas e tristes de ferro
quem esqueceria um pássaro raro em uma gaiola feia e de barras negras e grossas e ainda
além disso
triste?
quem?
e quem não ouviria o canto doce
e calmo
e além de tudo 
belo
daquele pássaro raro?
quem teria
coragem
mas não se trata apenas de coragem
se trata
de crueldade
talvez até ignorância
mas quem 
quem prenderia um pássaro raro em uma gaiola
gaiola triste com barras negras e grossas e feias
e tristes
como
o canto surdo daquele pássaro raro?
um pássaro raro
em uma gaiola
não é mais
um pássaro raro.
é apenas um pássaro triste
em uma gaiola triste moço.
por isso
e por
talvez vingança
ou talvez
por justiça
acaso
ou destino
por isso
e por tudo
a gaiola esquecida
enferrujada
teve suas barras de ferro
grossas e feias
e tristes
e antes tão fortes
despedaçadas.
como pó.
nada mais prende
nada mais torna surdo
o canto doce
e calmo
e belo
daquele pássaro.
o pássaro raro
agora
é livre
e vivo.
é um pássaro raro novamente.
sem mais gaiolas
e grossas barras de ferro tristes e negras
sem canto surdo
sem tristeza
sem prisão.
um pássaro raro
e apenas isso.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

como se eu fosse um poço
e estivesse cheia
e afundasse e afundasse
e pudesse ver
a superficie
pudesse ouvir as pessoas
e seus lamentos cotidianos.
pudesse sentir
alguém tocar a minha mão
mas era tudo turvo.
e eu afundava
até que eu não visse a superficie
até que eu não ouvisse mais nada
até que eu não pudesse mais sentir nenhuma mão sobre a minha.
como se eu fosse um lago
e estivesse trasbordando
e eu afundasse e afundasse em mim mesma
mas eu podia ver, eu podia ver me procurarem na superficie, bem na superficie,
mas eu podia ouvir, eu podia ouvir gritarem meu nome e esperarem uma resposta.
mas eu podia sentir que me tocavam, e que eu afundava mais e escapava daquelas mãos pegajosas.
mas eles estavam lá, eles me procuravam e tentavam me puxar de volta.
mas talvez eu não pertença a esse mundo.
talvez eu não pertença ao mundo dos vivos.
talvez eu não pertença a superficie e deva afundar.
e assim eu afundava mais e mais em mim mesma.
no poço mais fundo dos meus segredos.
no lago mais desconhecido dos meus sentimentos.

sábado, 17 de setembro de 2011

Sonho.

O capitulo a seguir é triste e temeroso. causa medo e arrepios e invade a todos com uma angustia propria, feita de lágrimas.
Sinto muito em lhes escrever esse capítulo que me dói na alma.
Mas é preciso escrever, é preciso dizer,  e é preciso escrever.
Pois é preciso que contem, com lágrimas, com desespero, com um gosto amargo na boca.
A triste mocinha perde seu porto seguro.
Mortes sempre serão tristes. Abraços reconfortantes e palavras de apoio não poderão mudar a ideia de que a morte está em todos os lugares, a espreita. 
O pai da mocinha morre.
E as coisas se despedaçam.
Como papeis finos que não tem importancia, só tem palavras.
As coisas que se esmagam contra a parede, junto com os sentimentos que se esmagam contra o coração em uma tentativa nem sempre bem sucedida e livre de efeitos colaterais de entrar no coração.
Mortes são necessarias as vezes.
Essa morte era necessaria.
Ninguém cortou nada pela metade.
Estava na hora, estava na hora, o que se pode fazer?
Cada segundo da vida dele foi bem vivida.
Por isso acabou, sem nenhum arrastar de correntes.
Sem nenhuma missão incabada.
Todas as coisas foram feitas, todas as palavras foram ditas.
A morte. A calma e serena, livre de conceitos e preconceitos.
Esta aqui. E agora está lá.
Lá longe.
E está cortando um fio da vida que está quase rebentado.
Cortando uma respiração que já é quase nada.
E batidas desritmadas.
Nesse momento a mocinha precisa dizer adeus de longe.
E talvez o pai da mocinha ouça o adeus.
Talvez a morte lhe permita ouvir pela última vez.
"Adeus"


"Adeus"



É um capítulo realmente triste. De adeus e lágrimas.
E o que vem a seguir não se parece nada com o presente deste momento.
Mas este é outro capitulo. Por enquanto serão as lágrimas e o último adeus.
Este capítulo começoun h´algum tempo.
Mas permitam-me mostra-lhes o corpo morto que não geme, nem respira pois está morto.
Até amanha ou depois, quando nos encontraremos para encontrar o corpo.

domingo, 11 de setembro de 2011

eu acho que você deveria parar de ler Os Contos de Grimm antes de dormir porque a sua vida parece um conto de fadas sangrento.
eu acho que você deveria parar de esperar o melhor do mundo e das pessoas como se todos fossem sempre bons com você porque isso me parece mais que utópico. é idiota.
eu acho que você deveria parar de acreditar no que as pessoas te dizem porque a maioria delas não sabe nem o que quer.
eu acho que você deveria se preocupar menos porque isso não te faz nenhum bem.
eu acho que você deveria parar de pensar que esse cara vai salvar a sua vida desse marasmo de princesa e colocar alguma emoção nela porque ele não vai. ele não vai te salvar.
apenas não espere demais de ninguém. o resultado tende a ser o mesmo.

sábado, 27 de agosto de 2011

Queria te dedicar.

queria te dedicar, acima de tudo, a minha dor. a minha angústia. cada lágrima que escorreu do meu rosto. queria te dedicar as minhas noites em claro, eos dias que eu não vivi. queria te deicar os meus melhores sorrisos forçados e as minhas melhores mentiras. queria te dedicar a escuridão dos meus dias. queria te dedicar todos os dias que eu respirei, e todos os dias que eu não quis respirar. queria te dedicar todas as palavras que eu não te disse por falta de voz ou de coragem. queria te dedicar todas as minhas forças, as que eu tenho e as que eu perdi. queria te dedicar toda a minha exaustão. queria te dedicar a minha falta de auto-controle. queria te dedicar todas as minhas faltas. queria te dedicar meu coração e o buraco que tem nele. queria te dedicar todas as minhas atitudes auto-destrutivas. queria te dedicar todos os planos que eu não fiz, todos os planos que eu desisti., todos os planos que eu joguei fora. queria te dedicar todos os meus passos em falso. tudo o que deu errado, eu queria te dedicar. queria te dedicar cada porre que eu tomei para te esquecer, ou para te lembrar. cada cigarro que eu fumei para manter a calma. queria te dedicar cada corte, cada queimadura. cada gemido. cada arependimento. queria te dedicar minhas mãos que tremem, meus olhos inchados, minha boca seca. queria te dedicar a minha morte. queria te dedicar a minha vergonha. queria te dedicar toda a minha doce solidão.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

quando você sumiu.

quando você sumiu, eu precisava fazer algo. precisava dar um rumo a minha vida. precisava encontrar uma razão ou uma desrazão que me movesse além do espaço vazio que marca exatamento onde você estava. quando você sumiu eu pensei, que eu conseguiria. conseguiria mesmo. tudo bem, tudo bem, eu sempre repetia. e assim eu acabei desacreditando nas minhas próprias palavras. são mentiras, como nós éramos. então quando você sumiu, eu pensei em te procurar. e procurei, procurei nos meus bolsos, nas minhas anotações, procurei pelos becos, calçadas, vielas. procurei em vão. você não estava em lugar algum. você nunca esteve. você era só mais uma ilusão. quando você sumiu, eu prendi três aros de ferro em torno do meu coração, para que ele não se partisse por causa da dor. e eles ficarão lá. eu não sei por quanto tempo. talvez falte pouco até eles rebentarem. por enquanto somos eu e os três aros. apenas.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

é tudo o que eles tem.


ela prometeu.
ele não.
ela se arrependeu de ter prometido.
ele se arrependeu de não ter prometido.
porque eles queriam ficar juntos para sempre.
eles queriam ficar juntos.
mas eles se arrependeram demais.
pensaram demais. e escolheram errado.
ele não tem sorte nem rumo.
ela tem uma sorte azarada que não a leva a lugar nenhum.
e assim eles continuam.
a cada esquina, a cada rua, a cada poste sem saber se é a última vez.
e cada beijo podia ser o último.
e cada vez ela ouvia a respiração dele, podia ser a última vez, podia ser a última respiração, porque nunca se sabe se depois do fim ele ainda seria capaz de respirar.
e cada vez que ele a via sorrir, podia ser a última vez, podia ser o último sorriso, porque não se sabe se depois do fim ela ainda seria capaz de sorrir.
eles estão sempre se despedindo, sempre fazendo as malas, sempre dizendo adeus.
eles nunca sabem do dia de amanha.
é tudo tão incerto e tão errado.
mas eu penso que eles não ligam. então não importa.
eles gostam do momento, e é apenas isso que eles tem, isso e um ao outro, por enquanto.

sábado, 20 de agosto de 2011

- onde você esteve?
- estive fazendo jardinagem.

- jardinagem onde?
- num lugar que eu conheço bem.

- e o que você fez?
- arranquei umas flores. umas flores perigosas
- e como você se sentiu?
- doeu.
- eram apenas flores.
- não eram flores quaisquer
- isso é uma metáfora? quais flores eram?
- flores de esperanças.

- porque você as arrancou?
- porque nascem decepções em sua volta.
- eram muitas?
- na verdade, era apenas uma.
- como foi parar ali?
- semeou-se com palavras suas de outras manhãs.
- e porque você a arrancou? floresceria belíssima
- as decepções.
- entendo... então foi o medo.
- também, mas não me julgue agora. eu arranquei a esperança, mas a decepção acabou nascendo ao lado da esperança que não mais havia. gostaria de entender o motivo?
- talvez você não tenha retirado as raízes com força suficiente.
- eu não sentia vontade propriamente
- então pra que fazer isso?
- era preciso. afinal, eu não mereço as decepções que você me planta.
- eu já pedi desculpas antes
- eu não quero desculpas, tenho um jardim inteiro delas.
- o que você quer?
- eu quero que você pare.
- não posso parar, e eu sei que voce não quer isso de verdade.
- você está certo. eu odeio quando você está certo, mas eu odeio mais ainda quando eu estou certa.
- entao o que você quer?
- antes eu queria pegar aquela rosa.
- que rosa?
- aquela que floresce todos os dias, no monte mais alto, mais longe e mais turvo. aquela, cujo os espinhos são venenosos.
- ...
- aguardando alguém que a tire daquela solidão horrível e lhe mostre como o mundo é belo.
- ...
- ela é única, e está lentamente desaparecendo.

- eu sinto muito não posso fazer nada.
- isso não é uma novidade.
ela virou as costas.
- onde você vai?
- ...
ele não se moveu, mas a sua boca se manteve aberta por alguns instantes, sem dizer nada, não que ele não tivesse nada a dizer.
- me espere. é só um tempo, eu prometo.
- eu também tenho um jardim cheio de promessas.
ela continuou andando.
- só por enquanto.
- vou regar a sua promessa todos os dias.
ela deu meia volta, e sentou ao lado dele de novo.

- não plante mais esperanças no meu coração, por favor.
- eu não consigo me controlar, desculpe-me.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

ela não é como os outros.

ela tem os passos leves. 
ela tem olhos sempre úmidos.
e o sorriso sempre falho. 
ela tem um desconforto quando começam a falar sobre as coisas que ela deve fazer. ela tem uma falta de alguma coisa que ela sabe exatamente o que é, e sabe perfeitamente que não vai conseguir. isso irrita ela. ela tem os olhos pesados. ela tem a respiração calma, às vezes ela não tem.
ela se tem, e apenas isso. e quer saber? ela é insuficiente.
até mesmo para ela. ela não serve.
mas eu prefiro dizer, que ela não é como os outros. isso deixa uma dúvida no ar. 
ela pode ser muito melhor. ela pode não conseguir ver, como ela é o suficiente.
e sabe?
um dia os olhos secam e o sorriso vem.
um dia ninguém vai precisar dizer a ela o que fazer.
um dia não faltará nada a ela. e depois faltará novamente.
só para dar uma graça na vida. 
ter um algo mais. 
mas ela não vai se irritar ou ficar triste por não ter. 
ela vai seguir, se for vir, virá. 
e se não for vir, ela não perderá tempo. 
e eu acredito que ela já perdeu tempo demais. 

os seus passos são leves. 
e calmos.
os seus olhos estão sempre atentos, e sorriem.
como a boca sorri.
ela faz o que quer, faz o que pode, e o principal, ela faz o que sente.
ela aprendeu que vazios existem, às vezes maiores do que podemos suportar.
mas também existem pessoas que podem te ajudar.
te sorrir, pessoas como essas a gente não perde.
ela aprendeu a não perder essas pessoas.
ela se tem inteira. e se adora.
ela aprendeu a conviver com a sua imagem no espelho, mas nem tanto.
ela não é como os outros.
e isso pode parecer ruim, mas não é.
ela respira, bastante. e sorri, bastante.
porque ela merece.
ela caminha, em frente.
e não desiste. ela não está sozinha.
e agora, ela tem tempo de sobra, pra sorrir e ser feliz, lutar, ir além, e não ser como os outros sobretudo. ela só não tem tempo pra ser triste.

sábado, 13 de agosto de 2011

Boêmio AMAdor.

Depois de doze doses em um dia sem vida
Com seu sangue sem sal que fecha suas feridas
E com um sorriso amarelo, pedindo a mais pedida
Com a saliva grossa que vai junto com a bebida

Sem orgulho, muito menos arrependimentos
No alcool alheio que enche a sua pança
Num mergulho contra seus sentimentos
Não lembra de ontem, muito menos da infância

O boêmio sujo já foi um bom marido
Foi apresentado ao gênio da garrafa
E tem direito ao seus três pedidos
Duas caipirinhas e uma carona para casa

A sua risada já não é a mesma
Não tem comparação com a sua tristeza
De voltar para casa, andando feito lesma
E não ter ninguém para compartilhar a mesa

Não deve ser normal, assim nessa idade
Estar insatisfeito com tantas histórias
Sempre à procura de alguma novidade
Mesmo que não caiba na sua memória

Nunca percebe que já não faz mais nada
Além de só permanecer sentado
Enquadrando bundas no bar de madrugada
E mentindo não estar embriagado

O sol já vem e ele não esconde que o teme
Mas se prepara para a consequência
É perceptível, seu corpo todo treme
"Maldita ressaca, que dor na consciência"

Mas não adianta, o bar está sempre aberto
Por isso é difícil encontrar a cura
E mesmo que feche, sempre há outro perto
E a sua sede não impede, mais procura

CÍCERO CAVALHEIRO




é, robei mesmo.

respirar bem fundo.

o negocio é que é preciso respirar bem fundo às vezes.
bem, mas bem fundo. sem contar, sem pensar. apenas respirar. 
e seguir. não importa para onde. importa quem. quem você vai seguir, isso importa. 
importa muito, quem vai estar ao seu lado, quem vai segurar a sua mão. isso importa muito, e talvez seja a única coisa que importe na realidade.
o negocio é escolher alguém que te faça rir e chorar. mas que te faça mais rir que chorar. que te faça lembrar, com um gostinho doce na boca, das coisas boas. daquelas enterradas na sua infância. o negocio é escolher alguém especial. e não pense no que todo mundo pensa. a única pessoa, cuja você tem que se preocupar com os pensamentos, é ele. e ele definitivamente não é todo mundo, entendeu? o negocio é escolher alguém legal, legal de verdade. alguém que finja que é durão do seu lado, só pra você se sentir segura. 
e o negocio também, não é seguir. é estar ao lado. estar junto. e ser dois. não um. ser dois. ser forte. ser duro. mas também ser, frágil. e precisar de proteção. precisar de colo. de abraço. precisar, dele, e de mais ninguém. também pode dar um tempo. dar uma volta, conhecer gente nova. mas voltar.
não esqueça de voltar. e quando estiver muito triste por causa dessa pessoa, quando estiver muito brava com ela. o negocio é respirar fundo e seguir ao lado.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

e para onde foram as flores? para onde foram as mãos que sempre estiveram tão juntas? para onde foram aquelas palavras lindas e reconfortantes que só você sabe dizer? para onde foi toda aquela felicidade, que foi embora e não me disse adeus? onde está aquela garota que não parava de sorrir? eu não me conheço mais. não me gosto mais. eu só preciso de alguém que segure a minha mão e me leve pra casa.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

só mais uma coisa.

eu me pergunto apenas mais uma coisa, entre tantas que eu deveria querer perguntar, eu pergunto só uma. uma única dúvida cruel, talvez uma última, nunca se sabe. mas eu pergunto assim, meio sem jeito, meio sem voz, meio sem vontade. com medo da tua resposta. medo das tuas palavras que me cortam, medo da tua boca que me engole inteira, medo das sensações, do cansaço, do choro, medo do que vem depois. ou talvez medo do que não vem depois. mas eu pergunto mesmo assim, respiro fundo e encho o peito de uma coragem quase emprestada, porque eu sei que não sou tão corajosa assim, conto até cem mil, respiro de novo, desvio o olhar no inicio, mas no fim te olho nos olhos e pergunto: aquilo tudo, TUDO. foi apenas para me machucar?
eu não consigo acreditar que tenha sido.

sábado, 6 de agosto de 2011

é o seguinte:

eu acho mesmo que seus sorrisos são verdadeiros. eu acho mesmo que você é especial. você sempre estará no topo. acho que você faz questão de estar, e eu? eu não me importo, pode ser assim. eu duvido que você acredite que está em segundo lugar em algum momento. ah, isso me parece ridículo, sinceramente. eu acho mesmo que você não entende quando eu digo que estou triste. eu acho mesmo que você é inocente. e acredito na cara de sonso que você faz antes de perguntar: "o que foi que eu fiz?". eu acho mesmo que você quer o melhor para mim. eu acho mesmo que você se preocupa. e se importa. eu acredito de verdade que você gosta de mim. eu até acho engraçado quando você tem ciúmes. eu acho mesmo que você quer que eu pare. pare com essas coisas que me fazem mal. mas eu tenho certeza que você não sabe que você também, você também me faz mal. e eu não pretendo parar com você. sinto muito. v eu acho que é isso que eu tenho para te dizer agora. mas eu posso ter mais, daqui na pouco, por isso continue por perto. eu acho que você quer ficar por perto. então fique.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

É importante

Ajudem a divulgar o twitter @naoagreve contra a greve no IFSul Campus Pelotas. Obrigada.

Sauara Karima

eu acho mesmo que devemos ter algo especial. algo muito especial.
porque é sempre você que eu procuro quando quero chorar por qualquer coisa?
porque é sempre você que eu procuro quando quero rir de qualquer coisa?
porque é sempre você que eu procuro quando preciso de alguém?
porque você é a única pessoa que eu quero por perto quando eu não quero ninguém por perto?
porque é sempre você que eu procuro quando quero contar alguma coisa feliz?
porque é sempre você que eu procuro quando quero contar alguma coisa triste?
porque você é a única pessoa que me faz olhar pra você quando eu quero olhar pro horizonte?
porque é sempre perto de você que eu quero estar? e rir, e chorar. e ser ao seu lado qualquer coisa, boa ou ruim, desde que tenha você no meio.
porque é você que me faz sentir melhor só com um sorriso? ou até mesmo sem sorriso?
me faz sentir viva. me faz sentir importante.
porque eu sempre espero te encontrar quando eu saio sem rumo?
porque é sempre você que eu quero para me abraçar e me dizer com uma voz quase maternal "anna, vai passar, não chora por esses caras, eles não te merecem. tu é demais"?
porque é sempre o seu sorriso que eu espero encontrar no meio de tanta gente que acha que é feliz?
porque é sempre a tua voz que me acalma?
porque é sempre você que eu procuro nos meus sonhos?
porque é sempre você que eu procuro por debaixo das cobertas a noite?
porque é sempre você que eu procuro?
porque é sempre você?
eu tenho certeza que temos algo realmente especial. algo que na minha opnião falta na maioria das pessoas. deve ser um brilho escondido no fundo dos olhos. uma palavra que fica dentro de você ecoando. uma pequenina lágrima que sempre esta escorrendo pelo canto do olho, seja de alegria ou se tristeza. deve ser uma coisa forte, que pulsa mesmo que o coração pare. mesmo que a mente queira parar. pulsa bem no fundo. bem forte. e nos dias dificeis pulsa devagarinho, ameaça parar, mas nunca para.
eu tenho certeza que temos isso. mesmo que não tenhamos nada alem de uma a outra. temos isso. isso pode ser nada para alguns. mas pra mim é muito. é mais que o suficiente.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

temos tempo, eu sei.

vamos caminhar e seguir em frente, de um jeito que pareçamos bem. vamos sorrir também, mas só um pouco. vamos esperar eles pararem de olhar, e então daremos as mãos. eu sinto que isso é ridiculamente frágil. 
vamos voltar para o apartamento e nos trancaremos por 3 dias. ninguém precisa saber de nós. ninguém precisa saber de nada. vamos voltar para o passado, e dar as mãos sem medo. perdemos nossas chances, eu sei. mas mesmo assim. vamos ir um passo a frente. vamos provar que significamos alguma coisa. alguma, não muita. mas já é o suficiente por enquanto. e esse por enquanto me incomoda. vamos deixar de ser quase. seremos que então? eu não sei e duvido que você saiba. mas mesmo assim vamos ser algo que não sabemos, mas seremos e isso basta. seremos por quanto tempo? tá, isso também não importa tanto. temos um ao outro. temos algo que não sabemos o que é. e também temos tempo, tempo o suficiente para descobrir o que estamos fazendo. temos tempo. vamos continuar caminhando então.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

ela queria ir embora. e todos a julgavam uma idiota.
ela queria ir embora. e todos a condenavam a cada passo em falso.
ela queria ir embora. ela só não sabia onde ir. ela só estava perdida, e ninguém nunca notou. ninguém nunca ouviu seus gritos à noite. ninguém viu as olheiras que denunciavam que o sono não era mais agradável, nem ficar acordada era. ninguém nunca viu as lágrimas silenciosas que ela chorava. ninguém nunca parou para sentir o que ela sentia. ninguém nunca se perguntou porque ela era tão quieta.
ela só estava perdida.
ela só queria ir embora.
e quando ela estendia as mãos vazias abertas para ele, ele nunca entendeu que ela só queria que ele colocasse as dele. ele nunca entendeu que ela só queria que ele colocasse seu coração naquelas mãos pequenas e vazias.
ela só estava perdida. e não tinha nada.
e todos a julgavam morta, enquanto ela ainda respirava.
e todos a julgavam louca, por ainda tentar.

terça-feira, 19 de julho de 2011

*-*

e tinha aquela garota. que desenhava relógios no pulso. tinha um mundo de palavras escondido nos bolsos e um sorriso triste sempre no rosto. não sabia onde queria ir. não sabia porque queria ir. apenas ia, sem pensar em nada. sabia que gostava de alguém que não gostava dela. sabia que isso doía. só não sabia fazer parar. ela cansou de esperar as horas passarem. cansou de ser esperada. cansou de tudo. agora ela vive em um mundo sem nenhum relógio, só aquele, desenhado no pulso, sempre errado, sempre certo, sempre nada. no mundo dela só tem palavras. só tem sentimentos. e ninguém pergunta que horas são. porque o relógio está parado. o tempo está parado e ninguém quer que ele ande mais. sem hora marcada, sem compromissos. sem beijos apressados. tudo no seu tempo. tudo certo. sem dia, nem noite. é tudo como e quando deve ser.
mas tinha aquele cara. que não tirava os olhos do relógio. estava sempre contando os minutos, sempre pensado no depois. até que ela o fez ele parar. e eles ficaram assim, parados, sem pensar em nada, apenas vivendo aquele momento. e ela mostrou para ele que os relógios eram relativos, que o mundo fica feliz quando se tem apenas um relógio, desenhado no pulso. mas ele foi embora, viver com hora marcada e a deixou em alguma esquina, conversando com algum estranho. ele esqueceu dela.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

desabafo.

nesses últimos seis meses eu aprendi muitas coisas. algumas delas me doeram bastante, até eu me acostumar e aceitar que elas eram verdade. sim, doeu bastante até eu aprender um pouco. nesses últimos meses, eu aprendi que não tem nada de errado em chorar. aprendi que às vezes a gente cai, e precisa de muito tempo, e de muita ajuda para poder levantar de novo completamente. eu aprendi também, que a gente precisa deixar as pessoas irem embora. aprendi a não guardar quase nada. nenhuma foto, nenhum recado. nenhuma palavra para ser dita depois, nenhuma lágrima para ser chorada quando eu tiver um motivo "mais plausível" ou algo assim, para chora-la. porque essas coisas escapam, nos piores momentos às vezes. porque essas coisas te matam por dentro. então você precisa deixar elas irem também, porque se ELE me escapou entre os dedos, então as coisas que restaram também, podem/vão escapar. por isso, eu tenho que me desprender dessas coisas. aos poucos. e deixa-las irem devagar, naturalmente. e se for para elas ficar, elas ficarão. mas, se realmente for para elas irem, então é melhor que eu já esteja um pouco longe, é melhor que eu não esteja presa a elas. eu não estou dizendo que não vai doer, porque é claro que vai. mas assim é mais fácil doí menos, ou a mesma coisa, mas doí por menos tempo. e o que eu NÃO TENHO QUE FAZER é perder tempo com o passado e ficar chorando eternamente por coisas que não vão mais voltar. eu sei, é difícil. eu ainda não me acostumei totalmente com isso. mas estou tentando te deixar ir do melhor jeito possível. estou deixando tudo ir devagarzinho. mas agora eu não sei direito bem o que fazer, é que tem uma coisa que eu não aprendi nesses últimos meses. eu não aprendi o que fazer com o buraco imenso que fica, quando alguém vai embora, e leva tudo o que era "nosso" junto, eu não aprendi o que fazer com o vazio que fica. e eu não tenho você, para me dizer o que fazer. você já foi embora, não é?

sábado, 16 de julho de 2011

ela estava olhando perdida, para o nada.

- no que você estava pensando? - ele perguntou, mas ele tinha tanto medo da resposta quanto ela
- que ninguém nunca voltou para mim. - ela respondeu baixinho, com medo que seu coração ouvisse, com medo que sangrasse.
- como assim? - ele não queria entender
- que é sempre adeus, e nunca mais. - ela disse olhando no fundo dos olhos dele
- ah - ela começou a brincar com a mão dele
- é sempre assim. sorrisos e finais de semana bonitos. e o sol te acorda devagarzinho, mas a sua vida é um sonho, então não faz mal. conversas que duram horas. palavras importantes que são ditas em segundos, segundos preciosos. e eu esperaria horas e horas para ouvi-las novamente, bem baixinho. mãos, dedos, olhos. então somos pássaros livres, lindos, e voamos para longe, apenas nós. pôr-do-sol. vinho. e olhos sempre atentos. as mãos juntas, quase fundidas. os mesmos passos e também tem toda aquela coisa romântica de beijos e abraços que não deveriam acabar nunca.- ela apertou a mão dele forte -  e acordar ao lado de alguém que você gosta. ou então só ficar do lado, sem dormir. ver as pessoas passar e querer gritar, ei, olha para mim, como está tudo bem agora, olha. e estamos juntos, felizes. e eu já nem sinto nenhum buraco no meu peito. mas tem, está lá. um buraco no formato de um prego.- ela solta a mão dele -  e só está esperando para que você enfie um prego lá. mas eu não estou sentindo ele, então eu esqueço que ele existe. só esqueço. até que um dia, nublado, ou ensolarado eu estarei sentada em uma cadeira, com o olhar vazio, olhando para o nada, porque seus olhos não são mais amigáveis, e em silêncio, porque as palavras não significam nada mais, não como antes. elas não são mais preciosas. elas só machucam, e cortam. estarei sentada, triste e você me dirá: adeus. e será "adeus para sempre" e seu último ato, a última coisa que você vai fazer, a última coisa que eu vou me lembrar de ver você fazendo, não vai ser ver televisão, enquanto ignora totalmente a minha existência, não vai ser assim que eu vou me lembrar de você para sempre. eu vou me lembrar de você se levantando, com um prego na mão, um prego que você vai pregar no meu coração. e vai me dizer, que é só por um tempo. ai você dirá adeus. mas voltará no dia seguinte e irá tira-lo, mas só enquanto você estiver do meu lado. ai tudo vai me parecer perfeito. mas você irá embora de novo. e o prego vai voltar para o meu coração. enferrujar um pouco lá. e você fará isso todos os dias. por um mês, ou uma semana.
- pare!
- mas depois de um tempo, você vai cansar do meu sorriso, ou da minha voz. e o tempo que você ficar comigo vai ser entediante. você vai se irritar fácil, e eu vou te perguntar o que houve, sem saber direito o que está acontecendo, e você me responderá que não é nada, que é só uma fase. até você parar pra pensar e achar que EU sou só uma fase. então você me dirá: adeus . e deixará aquele maldito prego no meu coração, enferrujando a cada dia um pouco mais.
- eu não... eu nunca faria nada disso com você.
- não. poderia não enjoar de mim, podeira fazer de alguma coisa diferente. mas eu sei, que no final, você estará indo embora e o prego estará no meu coração.
ele se levantou e foi embora. ela estava certa.