quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sarah

   Correndo sem rumo em alguma rua vazia. Eu espero te encontrar para te contar algum sonho triste que eu tive. E te contar do meu medo. Que um dia você não esteja mais aqui, Sarah.
   Olhando para o horizonte. O mundo sem os seus olhos parece um deserto. Sarah, seus olhos são as profundezas de um mar imenso que ninguém sabe direito onde fica e até onde vai. E cada vez que eu olho dentro deles, eu me sinto afundar em tantos sentimentos em tantas coisas que eu não consigo nem dizer exatamente o que é. Mas é. Sempre que estou com você eu me sinto flutuar. Assim que acontece. Nós voamos para bem longe. Para podermos nos encontrar em segredo. Para podermos nos escondermos de qualquer perigo. Para que ninguém saiba. E seja algo só nosso.
   Indo para longe, mais uma vez. Indo para casa. Indo para algum lugar onde eu saiba que você vai estar. Para poder respirar tranquila ao seu lado. E saber que os dias de sol existem. De vez enquanto me abrir. E você sabe, que quando eu me abro, eu inundo a sala de lágrimas. E de palavras.
  Ao seu lado Sarah, é onde eu queria estar agora. Mas parece que não é assim todo o tempo. Estamos separadas agora. E isso é triste. Não fomos feitas para isso. Por isso nossos corações e mentes estão sempre unidos por um elo invisível que move todas as coisas de todos os lugares ao mesmo tempo e que faz com que nós nunca estejamos completamente sós.
   Sauara Karima, eu te amo e preciso de você.
                                                                  

terça-feira, 24 de maio de 2011

É isso que você é.

A sua ausência escorre do teto, como você escorre das minhas mãos. A sua ausência é gelada. Gelada como as minhas mãos são agora, as mesmas mãos que apalpam o travesseiro e a cama atrás de você e do seu calor. E você não está aqui. Apalpam o vazio. Um vazio maior que eu. Maior do que eu posso aguentar. A sua ausência se impregna pelas paredes e desse até o chão. A sua ausência tranca as portas e janelas por onde você não vai entrar. Eu perdi você. Agora você é mais um que me decepcionou. Porque decepções existem, e não cansam de relembrar a sua existência. Agora você é mais uma ausência em um quarto cheio de ausências. Você é mais um que me vira as costas. É, você é.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Apenas desta vez.

    Novamente sem fim. Também sem felicidade. Principalmente sem amor. E é claro, sem respostas.
   Geralmente, quando isso fica assim, sem terminar, sem acontecer nada outra vez, ela chora.
   Às vezes não. Às vezes ela só não sorri. Às vezes ela só não quer viver.
   De vez enquando aparece alguma promessa de que vai passar fácil.
   De vez enquando aparece algo ou alguém que pareça valer a pena.
   Existem um milhão de coisas ou momentos felizes, mas ela não presta atenção nisso.
   Talvez - para quem acredita - pareça exagero. Mas é a emoção do momento em que te tiram o chão que faz com que ela exagere. Sim, se você por acaso soubesse como é não ter chão, você saberia que é verdadeiro. E é preciso que todos entendam que falar o que sente não diminui tanto assim a dor, mas ajuda.    
   E ela aceita qualquer ajuda.
   Hoje, não sei porque, hoje ela sorriu no final. Não um daqueles sorrisos desesperados. Não, não aqueles típicos sorrisos forçados. Não é preciso estampar também. Aquele sorriso foi um sorriso de quem ganhou mais do que perdeu pela primeira vez em meses.
   É importante dizer. É importante ouvir. É importante saber que viver quase vale a pena. É importante ter um sorriso no rosto, pelo menons hoje.
   E sentir qualquer coisa que se pareça com um chão. Mesmo que não seja.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Às vezes eu gosto de pensar que não são só sonhos.

Às vezes eu gosto de fechar os olhos e imaginar como seria, se estivéssemos em um dia de sol, em um parque e o sol batesse na sua cara. E você me dissesse, para ter calma, porque temos muito tempo. Então caminharíamos juntos, com as mãos nas mãos, e os lábios nos lábios, e os olhos nos olhos. E seria bom, eu sei que seria. Às vezes eu gosto de fechar os olhos e imaginar como seria, se estivéssemos em um dia de chuva, dentro de casa, e eu de repente, sentisse medo que fosse o fim, que aquele dia de chuva fosse o fim de tudo. E chorasse. Então você me diria que estava tudo bem, e me abraçasse, 'não tenha medo', você diria, 'estou aqui, eu vim'. Eu pararia de chorar, e ficaríamos juntos. Pelo resto do dia. Talvez chovesse mais, e fizesse frio, ou talvez abrisse sol. Talvez eu não sentisse medo nunca mais, mas não podemos saber. Às vezes eu gosto de sonhar com você. E acreditar que não é um sonho. Mas eu sempre tenho que abrir os olhos. E acordar. Porque talvez, um dia, quando eu abrir meus olhos, você esteja na minha frente.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Outra

    Eu não sei se é cedo demais. Estou de pé desde as seis. Eu não consigo dormir, com tantas verdades inconvenientes na minha cabeça. Não consigo respirar direito. Não sem você. E você é a minha verdade inconveniente. É você quem me faz enxergar tudo aquilo que eu não quero. Vo-cê. E essa história, é mais outra mentira. Outra vez. E quantas vezes mais vou precisar? Eu sou outra. Essa história é só outra dor. Só outro sofrimento. Isso é só outra chance, de errar. Num jogo que ninguém acerta. Porque todos são errados. Ou vítimas. Mas eu não sou vítima nenhuma.
    Eu não sei se é tarde demais. Eu não consigo dormir, com tantas palavras entaladas na minha garganta. Eu preciso grita-las. E expulsa-las de mim. Eu também deveria expulsar você, mas eu não consigo. 
   Eu queria te ligar e perguntar como você está. Mas não tenho seu número. Queria te ligar e pedir pra voltar. Mas não tenho seu coração. Não tenho nem direito. De falar uma palavra se quer. A única coisa que eu posso fazer é dormir. Para encontrar com você mais uma vez e mais uma vez, em algum sonho, que é quase a realidade. Mas não é.

domingo, 15 de maio de 2011

Incerto,

Estamos em silêncio. Olhando para fora da janela, para além de nós. Porque estamos cansados de olhar para cara do outro. Certo? Estamos só nós dois. E não queremos que ninguém saiba o que se passa dentro de nós. Certo? Temos tanto a dizer, mas não conseguimos. É difícil. É mais fácil falar, daquilo que já sabemos, mas e falar sobre o incerto? É certo? É difícil dizer coisas que nunca dizemos e fazer coisas que nunca fazemos. Porque queremos o banal para as nossas vidas. Sem pressão. Queremos encontros casuais. E paixões de fim de semana. Queremos os momentos. Para a vida toda. Por isso é tão difícil pensar que podemos ficar ao lado de alguém por quem morreríamos. Viveríamos ao seu lado, e isso me parece um pouco absurdo. A cada dia. A cada hora. Tudo compartilhado. Nós queremos ficar perto, mas nem sempre. Queremos um ao outro quase como se fosse um vício, às vezes mesmo que nossas razão nos diga que não, só não resistimos. Isso não é certo. Mas também não dá pra ficar se prendendo não é? Eu só não sei, se estou me prendendo demais a mim ou a você. Isso é tão estranho. Ninguém está acostumado a se dividir assim, por completo, sem esperar quase nada, sem ter nenhuma garantia. Não é confortável viver nessa corda bamba. Como se olhássemos por céu, e víssemos tempestades, mas não sabemos se vai ser hoje, ou a amanha, se vai ser daqui a um mês. Sabemos que apenas vem. Às vezes fraca, às vezes devastadora. Eu apenas queria não ter que espera-las.

sábado, 7 de maio de 2011

Enquanto durar.

As paredes já não existem mais. Estão no chão. Como nós estamos. E o teto nunca existiu. Sempre quisemos ver as estrelas a qualquer hora, sem se preocupar se ia chover, se ia fazer sol. Se a gente ia morrer de frio de madrugada, ou ficar queimado de sol depois de uma manha inteira dormindo. Apenas queríamos ver as estrelas.
As roupas são quase desnecessárias. O que nós gostamos é do contato. De estar perto, mas nem tanto. Também não gostamos de coisas impostas como paredes. Paredes nos limitam demais. E queremos sempre ver a paisagem linda que nos cerca. As montanhas, que estão fora e dentro de nós. E que parecem nos distanciar a cada minuto um pouco mais, como num grito contínuo que vai elevando e elevando o tom, até se tornar ensurdecedor, e depois para. Fica só o silêncio. Para dizer que acabou. Que não tem mais voz. Que nunca mais terá.
O chão é o que temos. É duro, ou acolchoado, é gelado, ou quente. Depende muito de muitas coisas. Menos de nós. Aliás, quase nada aqui depende de nós, e não podemos mudar nem metade das nossas vidas. Mas podemos ver as estrelas, e para mim enquanto durar, está bom.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Eu vou viver cada dia por você,

"E eu vou te amar para todo o sempre." Foram as palavras que selaram seus lábios, como na promessa, para sempre. E eu não sei dizer se o pra sempre já acabou. Eu sei que o nós não acabou, nem nunca acabará, porque será impossível um dia tentar viver sem lembrar como era antes. E enquanto eu estiver aqui, o seu pra sempre durará, e quando finalmente nos encontrarmos no céu, no inferno ou no limbo, o pra sempre será mais forte do que qualquer deus. E eu vou te amar até o último dia de minha vida. E na minha morte, se for possível, e se for impossível também amarei. E eu não acredito quando eles vem me dizer que está tudo errado. Que eu não posso te amar. Que eu não posso continuar vivendo assim. Não existe dentro de mim. E afinal o que existe dentro de mim além do que eu sinto? Precisa mais do que isso? Isso não é o suficiente? Preciso provar e ser desaprovada por alguém que definitivamente não sente nada? Precisa que alguém venha me dizer com uma voz paternal, não querida, não você não pode sentir isso. É errado desejar acordar e respirar todos os dias por outra pessoa que não seja você mesma. Você não pode sentir esse amor. Nem dor você pode. É errado chorar. Como é errado também querer dizer para alguém: "Hey, eu estou aqui, eu vim, por você e apenas por você. Por isso fica aqui. Ou vamos juntos para qualquer lugar" Então nada está certo. Sinto muito em te dizer. Mas ninguém pode, ninguém vai mudar isso. Ninguém tem direito. É só meu. E seu. E é isso que importa.