Me dizes que tuas mãos doem demais, que teu choro não cala, teu corpo não descansa.
Eu sei muito bem de tudo isso.
Este pesado no seu coração.
Essa lucidez nos teus pensamentos.
A dor pura que tão bem conheces.
Isso grita dentro de ti.
Te diz: "Fazes alguma coisa, por favor, tens que fazer algo."
Mas tu não sabe o que fazer para matar a dor que tu tens ou o tempo que te aflige.
Tu não consegues lembrar o que perdestes há tanto tempo atrás.
E ainda - ás vezes - a indiferença toma as tuas ideias, e nem queres saber de nada, apenas te perguntas: "Por que tanto?"
Ou então clamas que não aguenta mais, mas nada adianta, resmungar ou deixar para lá - as coisas continuam sempre as mesmas.
Você se sente incapaz de ser completamente indiferente.
Essa não é a maneira de se ver as coisas por estes teus olhos, disto sei muito bem.
Sentes que a tua dor nunca poderá ser entendida por sequer uma pessoa em todo mundo.
E nesses momentos você chora e quase morre na solidão.
Incompreendida, inútil.
Ninguém realmente está interessado em você.
Tudo é exagero e infantilidade resplandescente aos olhos estranhos.
Você mesma se pergunta se todos não estariam certos. Estariam?
Fica no ar, pesando e fedendo as acusações pútridas, tua fraqueza comovente.
Tua sensibilidade é teu defeito e tua prisão.
Com olhos ainda frios assiste a manha, as luzes, pensas, procuras, tudo acaba sempre igual.
As noites vazias, as promessas por cumprir, não se sabe mais quanto tempo perdido ainda podes perder.
Poderia haver quem sabe uma solução?
Um analgésico para a dor, uma venda para os olhos.
Um sorriso falso bem estampado, um perfume para disfarçar o odor inconfundível que tu tens e que impregna nos lugares.
Uma novo rosto para recomeçar tudo outra vez.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Inquieta
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