É difícil aguentar a noite fria, que traz consigo os passos vazios dos estranhos, que não me olham, que não me querem, que nem pensam em me dar as mãos e perguntar porquê estou ali. E essa solidão de não ouvir mais nenhuma das tuas palavras doces, me consome. Porém também não podia mais aguentar o mal que elas me faziam e o vazio que me causavam. A tua dor doce, me tinha gosto de felicidade, e foi com muito pesar que descobri ser tudo falso, inclusive, o que estava dentro de mim. Não pude aceitar que tamanha dor me fosse imposta, justamente por ti, à quem tanto amei.
Agora, (para lhe retirar este fardo, e também para poder diminuir um pouco do meu) eu mesma estou a me impor tanta dor que se pode encher uma sala, e cobrir todos os móveis, da cor cinzento-pálida. Dor viscosa, de amargo gosto - você pode toca-la, porém não aconselho, gelatinosa e grudenta, ela tem textura de lágrimas e lama - e que causou morte dos meus sonhos, causou a morte dos meus olhos, e acima de tudo causou a morte do meu coração. Mas tudo já estava condenado, eu sei muito bem disto, pois você já havia me dito, as palavras vazias que hoje enchem a minha mente, que infestam meu corpo como vermes, que se repetem como um eco infinito, um chofre de palavras irônicas.
Talvez as pessoas digam, que as pessoas infelizes o são, porque o querem. E eu lhes digo, que o ser humano é a criatura mais triste e mais vil que existe. Está em nossas mentes, e cada um de nós é capaz de enxergar de forma diferente, mas você pode ter certeza que todos enxergam. E até os que fecham os olhos, são obrigados a sentir a doce presença da perversidade, da solidão, da tristeza que nos aflige. O que muda é a intensidade e a cor. E essa dor, que eu causo a mim mesma, acreditem, é absolutamente necessária. Ela pode inundar e afogar tudo o que há em mim, mas ela não ultrapassa meus limites, ela ainda me permite viver e sorrir quando for conveniente. Está me mim, como os teus olhos pousados nos meus naquela época, está todo o tempo, e em todos os lugares, escorre de mim, e fica o cheiro quando eu passo. Mas é a minha dor tranquila, e ela jura para mim, é passageira. Quando penso que já chega, não posso mais, ela me diz, calma: "Sou tão mortal quanto os sonhos que matei." E é isso que me faz dormir.
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