A luz apagou-se dentro de mim e o que restava soprei ao vento.
Sou como um verme, um lixo. Um ser desprezível que rastejava aos teus pés, e que se desculpava por viver, respirar, sonhar.
A minha existência se quer tem nome.
A minha existência se quer tem forma.
A minha existência apenas se acostumou a rastejar ao teu lado e assim fui feliz enquanto pude.
Agora, quando tento pensar no teu rosto a tua imagem se desfaz e desaparece.
Se quer posso sonha-lo, ou ama-lo outra vez.
Sou incapaz de me lembrar do som da tua voz.
Tudo se desfaz quando penso em ti, até eu mesma, me desfaço.
Me desfaço por completa, até me tornar - por apenas alguns segundos - as pedras por onde tu caminhas, teus olhos, tua boca, o céu que tu amas, o vento que te acaricia o rosto, as palavras que te consolam à noite.
E então, de repente, sou verme outra vez, e rastejo à tua procura.
Se eu pudesse desejar algo, desejaria que tu não existisse nem mais um segundo, desejaria que tu partisse da minha alma para sempre, sem vestígios e sem dor.
Mas à mim, verme, não foi dado nenhum desejo.
Não foi dado nenhum nome, nenhuma forma para chamar "minha".
À mim foi dado apenas caminho para seguir.
E eu rastejo, seguindo e esperando o dia em que a minha existência há de criar asas para que eu nunca mais rasteje, e possa ainda, voar, voar para bem longe e fugir, tudo o que eu desejo é fugir de você.
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