segunda-feira, 23 de maio de 2016

Então eu amo, e amo, e amo e...

E naqueles momentos em que nos sentimos quebrados, na forma mais miserável possível de nossa existência - quando o fundo do poço são nossos próprios olhos - é que nos destacamos no nosso maior potencial, movidos pela revolução.
A nossa alma é muito pura para se deixar definhar pelo sofrimento e pela dor, ela brilha na sua maior intensidade e cria o sol em nossa própria existência se isso for necessário para salva-la. Acredita-la até o fim é não apenas ser corajoso mas também tornar seu próprio significado puramente real neste ato - ter alma é ter coragem - e o medo ainda está correndo pelas suas veias mas ele não impede você.
Muito tristes são as almas que se deixam apagar por completo e entram no eterno limbo da indiferença - compostas por tons de cinza a perder de vista, impossíveis de distinguir entre elas - aquelas que estão esquecidas há muito tempo de que existem coisas puras e boas - como o amor e a amizade - movidas apenas pela imensidão dos sonhos vazios, olhos que apontam para o nada absoluto, palavras que não podem dizer a verdade e corações extintos.
Oh, pobre almas, nunca sentirão a doce brisa de verão que é o amor entrando em nossas almas, nunca saberão da existência dos tantos inclassificáveis arrepios na espinha que apenas o encontro de olhares pode causar, e imensuráveis/indescritíveis/incomparáveis outras sensações que invadem nossos sentidos quando nossa alma encontra a quem amar de verdade.
Eu sinto dor apenas em pensar nos momentos em que estive vazia, e não pude encontrar paz em nenhum lugar - com minha luta e com meu sangue - e eu não podia continuar, entretanto, continuava mas não sem todos os dias passear pelo inferno uma outra vez, e reviver tudo o que eu temia das maneiras mais terríveis possíveis, tudo o que havia acontecido e eu não podia esquecer, eu não podia perdoar, eu não podia deixar de pensar e pensar novamente, num ciclo que me tomava dias e dias, e não me deixava ser mais nada.
Apenas trevas, e em mim havia uma pequena porção de luz, distante - quase gelada - que conseguiu apenas de maneira fraca manter seu brilho naquele tempo, não apenas por lamentar a não-existência em que eu me encontrava, mas sim pelo reconhecimento de que - talvez - minha mente não pudesse migrar daquele estado. E o fim de tudo foi declarado em meu peito, e doei todos os meus sonhos as estrelas que povoavam o céu azul índigo daquela noite, eram poucas... mas poucos eram os sonhos, e deixei tudo o que havia para trás sem pensar nisso nenhuma outra vez - por que haveria de ser feito - em ordem de libertar-me desse sentimento de estranheza corporal, dessa sensação de não pertencer mais aos próprios atos, nem a própria realidade. Era preciso fazer. "Mas não haveria outras maneiras de libertar meu ser de seus domínios?" você pode estar a se perguntar - mãos que indagam - eu lhe respondo: "Um milhão delas, talvez, apenas em minha essência não pude cogitar outra forma de ser".
Mas números não significam nada - não traduzem os sentimentos que moldam tudo a minha volta, eles querem dizer apenas o que dizem e para mim se trata de mais que apenas isso - mas se o que diz essa existência renascida, pode ou não ser levado em consideração - o seu coração vai responder por você. Basta pulsar para você saber. Para mim essa foi a maneira que a melodia soou dentro de minha alma... Pode ser que não seja o mesmo para você, lembre-se que aqui escreve um humano sensível e inegavelmente falho.
O primeiro sentimento que me fez reagir a essas sinuosas estradas de sofrimento em que me encontrava foi a gratidão, gratidão eterna por tudo o que deu significado a minha existência, por tudo que criou meu ser, e principalmente por todos os pedaços de amor que pude recolher por aí, podem não ter sido abundantes, sim, mas formaram a minha essência, então nos momentos em que não sei muito disso, em que me sinto perdida, procuro por eles para que me digam de mil formas diferentes, tudo o que sou, o que fui, o que posso ser. E eles repetem a mim quantas vezes eu pedir, basta pedir.
E não apenas há gratidão em meu coração nesses dias onde o pôr do sol - com seus padrões de roxos tão lindos e surpreendentes - que me fazem acreditar na existência de algo inominável e que não convém discutir aqui, mas que inunda a minha alma - há nisso um certo calor inexplicável pode se dizer - e eu não sei negar de jeito nenhum a sua luz, eu apenas a permito entrar e permito que ilumine a cada pequena peça escondida em meu interior pois a ela não preciso nunca temer, sempre cuidou com muito amor de minhas feridas, sempre amou profundamente o meu ser.
Ah, sim, ao amor também dedico meus dias e noites - e todos os momentos que eu dispor de minha vida - e chego até a esvaziar minha boca de palavras quando estou ao seu lado, chego a não poder me controlar... Ele é meu querido solzinho de inverno e eu não posso nega-lo da mesma maneira que não posso negar a luz que a minha alma toca tão pura e profundamente.
Mas por que eu haveria de querer nega-lo? Não é ele meu querido e eterno baby blue, dono dos meus olhos, com seu amor imensurável logo pela manhã, quase que não posso sair da cama, quase não posso deixar seu lado por um segundo, irresistível de todas as formas, dilacera o meu interior apenas com seus olhos direcionados a mim.
Outras coisas é claro, ocupam minha mente, a maior parte delas: livros que desvendam almas, músicas para acalmar as tempestades que por vezes surgem sem nada avisar, céus memoráveis para reviver por incontáveis horas se for necessário, filmes que nos transportam para outras eras, dimensões, etc e apenas sendo citadas por último, as palavras que aqui escrevo.
Eu queria dizer que apenas relato aqui, por este meio que encontrei durante o meu caminho, o que sinto, o que vejo, o que penso. Aqui existo puramente, são as palavras ditas aqui, que por vezes nunca foram de fato ditas, que me libertam do sofrimento e que trazem amor morninho para que minhas mãos afaguem. É indescritivelmente boa a sensação de alguma forma ser reconhecida por esses atos, faço-os puramente em meu coração e eu confesso que a existência de tais sentimentos me soava impossível, me soava platônica, ás vezes até me soava um pouco pretensiosa...mas aceito de bom grado, verdadeiramente.
Aos que o fazem - seja da forma que for, silencio, carta, imagem, coração - um grande agradecimento saibam que isso significa muitíssimo para mim e enche meu coraçãozinho só de coisinhas boas.
Me garantem não-sei-o-que que me faz sonhar com flores violetas e campos sem fim e - ainda - me dão inspiração pura para seguir adiante.
Os meus sinceros sentimentos, queridxs.
Eternamente.

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