segunda-feira, 30 de maio de 2016

As infindáveis montanhas de dor que criaram este ser.

A inconsequência dos desejos momentâneos que duram eternidades no teu interior.
As palavras que te arranham a garganta, desejando sair, cruéis.
As ideias que não te saem da cabeça de modo algum, e você tenta refazê-las, faz tentativas de torna-las aceitáveis ou próximo disto, mas não há eficácia.
As estranhas sensações de estar e de não estar no mesmo exato momento, de não ser capaz de sentir o tempo e seus sinais por apenas instantes mas depois ter a existência esmagada por ele, de não compreender o que é isso que guia teu ser mas seguir com convicção.
As intermináveis horas perdidas a pensar e pensar, sem conclusões, mas o coração há de sempre querer tentar encontra-las outra vez e outras mais - enquanto for possível.
A escravidão eterna dos teus olhos, incapazes de se mover se quer um centímetro além.
A respiração sofrivelmente pesada, quase se pode ver em tuas costas arqueadas o peso que há, quase se pode senti-lo nos teus passos.
A escuridão que envolve a tua alma e ela pede sempre por mais.
As repugnantes proposições que vem a tona e você tenta não ouvi-las, você tenta em vão não presta-las atenção. Diz a si mesmo - mão que comprimem a cabeça, inúteis - voz engasgada, "Não são reais."
Mas no final da noite - lá estão elas - e se acumulam em pilhas da altura dos céus e você já não é nem abençoado pelo doce luar que emana da profunda escuridão para amenizar todo este sofrimento, e elas caem e caem - sem nunca haver esperanças que acabem -  como uma avalanche que traz mais e mais, mas a desumana realidade é a de que você nunca os deixou sair a superfície, nem uma única vez, e não há hipóteses de se realizar tal insurreição.
Estão profundas no teu ser, moldam cada hipótese do teu futuro, são partes até mesmo dos teus ossos e sem elas talvez até mesmo o seu coração parasse de bater.
Não há como retira-las, seria como remover a tua estrutura, seria como apagar todas as coisas coerentes que já conhecestes em tua vida, destruir a tua história.
Então essas pilhas são tu mesma e todas as noites tu cai e todas as noites são cheias de dor - e isso é quem tu és.
E nos dias bons ainda reluz na tua mente este fato absoluto, e enquanto há um sorriso em teu rosto, ou sentimentos bons te tocando de alguma forma - ali está ele dizendo do que são feitos estes ossos - gritando a verdade dentro desses teus enormes salões de dor, e quando estás ao sol e mesmo quando és amada, não te deixa esquecer o que está dominando a tua existência em todas as ocasiões, não te deixa esquecer quem realmente tu és.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oh, just say something, bye