sábado, 9 de novembro de 2013

Triste surdo barulho da dor.

Crispou as mãos e bateu-as contra a parede.
Ah, o barulho surdo da dor.
Estávamos longe de qualquer solução eu sabia.
E para que continuasse agindo desse modo, inventou - para si mesmo - estar em um sonho.
Nada importava, apenas a raiva que sentia.
Crispou suas mãos novamente e bateu-as contra a parede com mais força me parecia.
Barulho e dor, sem sentido eu diria - e continuamos sem nenhuma solução, apenas sentimos mais dor.
Caí de joelhos na sua frente, ele gritou, apesar de estar tão próximo, ele gritou para mim: "O QUE VOCÊ QUER?"
Mãos que não eram humanas, perto demais - pertíssimo - de meu rosto.
Ele ofegava, como um monstro, um animal.
E eu lhe disse: "Eu quero que você pare".
Crispou as mãos mais um vez, olhou-me com aquele olhar desumano e odioso que tinha quando perdia o controle, o que haveria de fazer ele?
Quebraria o meu coração se eu lhe desse ele nesses momentos?
Me partiria se pudesse?
O que eu faria... se ele o fizesse?
"Porque não se acalma", eu lhe disse - com voz doce porem medrosa.
Mas ele havia perdido o controle de si mesmo.
Então deite-me no chão e chorei.
Talvez me matasse.
Talvez matasse a si mesmo.
"Seriam soluções", eu pensei.
Se apenas um de nós morresse então o outro estaria irremediavelmente livre, da presença e da ausência.
Porem estamos vivos apesar de longe e não temos solução alguma para uma ausência que dói e uma presença que quase mata.
É dessa quase morte é que vivo.
E passo todo o tempo lembrando, que ele não esta aqui e que eu não quero que esteja mesmo que o ame como amo - eu o odeio por toda a dor.
Pois há algo de eterno muito mais forte nesse ódio do que no amor, que foi tão manchado, tão sujo, e tão repleto de tristezas todo o tempo que existiu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oh, just say something, bye