terça-feira, 1 de março de 2011

Está tudo bem.

     Fecha os olhos, fica com os lábios entreabertos, as palavras não saem inteiras. Diz coisas tolas e que não fazem sentido. Diz que esta cansada, quer ir embora. Que não aguenta mais. 
     Abre os olhos sem esboçar nenhum sentimento, mas eu conheço ela, na verdade ela está tremendo. Urrando. Sofrendo.
     Fica com os olhos cerrados, como se procurasse algo dentro de si, algo perdido. Mas logo, decide fechar os olhos, quando percebe que não está ali, que nunca nem esteve, não por inteiro. Me fala das coisas dolorosas, como se não fossem nada. E cutuca as próprias feridas, pra sangrarem mais. E acha que pode consertar tudo. 
     Agora fica com os olhos semi-abertos. Me olha como se eu já não fosse nada. Mas eu conheço ela muito bem. Sei o que está querendo me mostrar. 
      Fecha os olhos novamente. Com mais força. Parece tão infeliz. Grita. Diz que dói. Que arde. Que demora. Que ela não quer. Não consigo entender.
    Abre os olhos, mas não vê. Ela me diz que está tudo bem. E sorri. Só não me diz o que houve. Só não me diz o que tem. Só repete " Tudo bem, tudo bem". Não me diz. E eu me pergunto, se tudo isso não é só um outro jeito de chorar.

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