sábado, 16 de julho de 2011

ela estava olhando perdida, para o nada.

- no que você estava pensando? - ele perguntou, mas ele tinha tanto medo da resposta quanto ela
- que ninguém nunca voltou para mim. - ela respondeu baixinho, com medo que seu coração ouvisse, com medo que sangrasse.
- como assim? - ele não queria entender
- que é sempre adeus, e nunca mais. - ela disse olhando no fundo dos olhos dele
- ah - ela começou a brincar com a mão dele
- é sempre assim. sorrisos e finais de semana bonitos. e o sol te acorda devagarzinho, mas a sua vida é um sonho, então não faz mal. conversas que duram horas. palavras importantes que são ditas em segundos, segundos preciosos. e eu esperaria horas e horas para ouvi-las novamente, bem baixinho. mãos, dedos, olhos. então somos pássaros livres, lindos, e voamos para longe, apenas nós. pôr-do-sol. vinho. e olhos sempre atentos. as mãos juntas, quase fundidas. os mesmos passos e também tem toda aquela coisa romântica de beijos e abraços que não deveriam acabar nunca.- ela apertou a mão dele forte -  e acordar ao lado de alguém que você gosta. ou então só ficar do lado, sem dormir. ver as pessoas passar e querer gritar, ei, olha para mim, como está tudo bem agora, olha. e estamos juntos, felizes. e eu já nem sinto nenhum buraco no meu peito. mas tem, está lá. um buraco no formato de um prego.- ela solta a mão dele -  e só está esperando para que você enfie um prego lá. mas eu não estou sentindo ele, então eu esqueço que ele existe. só esqueço. até que um dia, nublado, ou ensolarado eu estarei sentada em uma cadeira, com o olhar vazio, olhando para o nada, porque seus olhos não são mais amigáveis, e em silêncio, porque as palavras não significam nada mais, não como antes. elas não são mais preciosas. elas só machucam, e cortam. estarei sentada, triste e você me dirá: adeus. e será "adeus para sempre" e seu último ato, a última coisa que você vai fazer, a última coisa que eu vou me lembrar de ver você fazendo, não vai ser ver televisão, enquanto ignora totalmente a minha existência, não vai ser assim que eu vou me lembrar de você para sempre. eu vou me lembrar de você se levantando, com um prego na mão, um prego que você vai pregar no meu coração. e vai me dizer, que é só por um tempo. ai você dirá adeus. mas voltará no dia seguinte e irá tira-lo, mas só enquanto você estiver do meu lado. ai tudo vai me parecer perfeito. mas você irá embora de novo. e o prego vai voltar para o meu coração. enferrujar um pouco lá. e você fará isso todos os dias. por um mês, ou uma semana.
- pare!
- mas depois de um tempo, você vai cansar do meu sorriso, ou da minha voz. e o tempo que você ficar comigo vai ser entediante. você vai se irritar fácil, e eu vou te perguntar o que houve, sem saber direito o que está acontecendo, e você me responderá que não é nada, que é só uma fase. até você parar pra pensar e achar que EU sou só uma fase. então você me dirá: adeus . e deixará aquele maldito prego no meu coração, enferrujando a cada dia um pouco mais.
- eu não... eu nunca faria nada disso com você.
- não. poderia não enjoar de mim, podeira fazer de alguma coisa diferente. mas eu sei, que no final, você estará indo embora e o prego estará no meu coração.
ele se levantou e foi embora. ela estava certa.

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