a acidez do meu estômago
verteu pela calçada desnuda
até a valeta imunda
contaminando o meu entorno
contrastando o horror e a fome
que meu corpo acusa
são infindáveis
os ossos quebrados num ranger de dentes
estilhaçados num piscar de olhos
subjugados sem hesitação
entregue em minhas mãos
alguma substância letal
para me distrair desta emoção
a podridão de meus órgãos
ascendeu
etérea
num instante tudo desapareceu
subverteu em dor até mesmo
a resiliente ramificação de verde
que considerei tão admirável um dia
ela também agora se perde em meio a precipitação
o cheiro pútrido no ar denuncia
sou mundo inteiro em agonia
meus terrores mancham concreto
ardem puros aos olhos alheios mas
resumem tudo a indistinguível fumaça infértil
e eu os permito não quero refutar à ninguém
o badalar das horas a ressonar
o triste descaso a espreitar
incongruente corpo
inconstância a me arrastar
sigo faminta a buscar
entorpecidos sonhos
ridículas fugas
deito-me no chão frio
meus sonhos não são sonhos
são pinturas dos meus medos
me invadem como você o fez
e deles sou incapaz de me desfazer
como seu toque em meu ser
o desespero em meu olhar
é passível de se abominar
por isso te peço
não vá olhar em meus olhos
não vá se perder no desolado
descampado mutilado castanho
o arquear em minhas costas
pesa a sala inteira
e me entope de remorsos
do não dito e do não feito
sou toda anseios
noites a velar
janela como um astro a iluminar
impossível refutar
estralado olhar
estrelado luar
onde mais posso repousar
se em lugar algum encontro paz?
O par que não deseja ser encontrado pode estar imerso em luz. Procure com olhos vendados, tateie com cuidado, o X está embrulhado em um abraço. Sorria. Modo solidão desativado.
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