quinta-feira, 25 de julho de 2019

II (azul ciano do céu que amo)

Eu dou risada do eterno
nos meus bolsos eu carrego os pedaços de linóleo desbotado
que um dia tu pisastes,
isso é eterno?

Gargalhei.

O eterno se fez
nos amontoados de ossos
dentro de caixas?

Ou em minhas mãos?

O eterno pintou de antemão
toda a paisagem
não restou nenhum centímetro de acaso
pra preencher-me de sensações?

Dei risada,
pela última vez,
o som ecoou até
teu coração
ou só se foi
perdido
em imensidão?

Pintei um  nome
numa folha
publiquei arte
fiquei fitando o céu    por meia hora
e aquilo me pareceu eterno
(que é meio como não sentir o tempo passar
 sim (eu acredito que seja assim
eu diria que eterno é a ausência daquele sentimento que o tempo nos dá
aquele esmagamento, que nos exprime essência pelas têmporas e olhos.

E
banhada pelo sol
poesia me transbordou de palavras
eu quis dizê-las todas a você
e sonhar todos os meus sonhos azuis hortênsia em seus braços.

Quando estou no céu não sei a hora
fico perdida   no agora
é o verdadeiro
presente.

As nuvens embaraçaram os meus cabelos de ideias e acasos banais
constituíram um sentimento novo em minha espinha dorsal
ainda não dei um nome a isto
deixei pairar no ar do meu quarto
me dá mais prazer assim.

As coisas postas em todas as partes.

Inebriantes
curiosidades
são tão mais agradáveis.

Diagramar a realidade a todo momento
custosa tarefa, confortavelmente condicionada
encaixar as pedaços e olhar a fundo
os espaços em branco
por centímetro quadrado.

Esqueço de propósito
só desejo me lembrar
do seu olhar a me procurar.

Jamais quis comprimir com palavras de eternidade
coisa rara tão amada
não quis sobre ela
cravar alguma estaca.

Quis apenas encostar um pouco meu coração
e sentir a respiração
de outro ser além do meu.

Quis estar ali
naquele momento naquele lugar
daquele jeito, meio assim, meio sem fim.

Sem pôr nome, nem dizer que sim
sem abanar a cabeça
jamais compelir
qualquer ato
ou qualquer coisa
deixando como acontecer
seguindo meu fluxo de ser
e gargalhando
talvez junto a você...

Sempre comigo mesma
até o amanhecer.



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