—eco
é cor concreta
pintei o verso
bruma incerta
fiz quente
quero
ser
só
inércia
no meu quarto
meus temores e meus traumas
só eles conversam
eu fico calada
escuto aplastada
e não refuto suas ordens
nem a sua desordem
intrínseca
eco
é contato
contido
abafado
perdido
eco
é cor-de-rosa
o ruído que minha alma emana por aí
um dia me disseram
o vento anuiu
não há mais nada a se pôr
é o que há
é o que há de vir
eco
efêmeros
suspiros noturnos
eu fiz do meu corpo a minha casa
e me trancafiei a sete chaves
—onde estou
caminhando na mata escura
os pés encharcados de dor
me perdi no breu
na sombra do meu eu
paralítica
estática
quebradiça
eco
é controvérsia exacerbada
palavra escrita no cerâmica fria
—ainda nem era dia—
e depois apagada
eco
é contraste incerto
de momentos cristalizados
em papéis em pedaços
de vidro e em flores ressecadas
lembranças cansadas
uma palavra antiga se estende e me abraça
porém são novos os nomes
expoente pacientemente colocado ali
impermanente
eco é confusão é beira é contusão na pele morena
é desordem em festejo
é todo o mundo em cortejo
meio que pelo avesso
eco
é conturbada jornada
deturpada largada
destinação condenada
eco
dos sons
que o coração costumava fazer
quando estavas por aqui
eco
é consequência
dilacerada
existência
é colisão
conflituosa ilusão
impérvio agudo
gesto de reclusão
é planeta inteiro em erosão
distante dominação
mas que se faz presente
em cada ínfima emoção
eco
é colorido o meu perdão
é construído pelas minhas mãos
e descabido
é sempre fronteira
é fossa escura é flecha certeira
eco dos sons da mata ressonam em meu coração
e confundo os meus pés com o chão
quando piso descalça na terra
estendo minhas mãos ao sol
como cotiledones na pequena terra azul
peço ao vento
que gentilmente me balance
para que eu possa me fortalecer
sem precisar me romper
e desejo por esperanças
em meus olhos
conquanto que a razão entoe
—em todos os momentos—
—não.
Vc escreve bem.
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