quinta-feira, 22 de setembro de 2011

como se eu fosse um poço
e estivesse cheia
e afundasse e afundasse
e pudesse ver
a superficie
pudesse ouvir as pessoas
e seus lamentos cotidianos.
pudesse sentir
alguém tocar a minha mão
mas era tudo turvo.
e eu afundava
até que eu não visse a superficie
até que eu não ouvisse mais nada
até que eu não pudesse mais sentir nenhuma mão sobre a minha.
como se eu fosse um lago
e estivesse trasbordando
e eu afundasse e afundasse em mim mesma
mas eu podia ver, eu podia ver me procurarem na superficie, bem na superficie,
mas eu podia ouvir, eu podia ouvir gritarem meu nome e esperarem uma resposta.
mas eu podia sentir que me tocavam, e que eu afundava mais e escapava daquelas mãos pegajosas.
mas eles estavam lá, eles me procuravam e tentavam me puxar de volta.
mas talvez eu não pertença a esse mundo.
talvez eu não pertença ao mundo dos vivos.
talvez eu não pertença a superficie e deva afundar.
e assim eu afundava mais e mais em mim mesma.
no poço mais fundo dos meus segredos.
no lago mais desconhecido dos meus sentimentos.

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