segunda-feira, 26 de setembro de 2011

um pássaro raro.

pássaro
um pássaro raro
um pássaro raro e
uma gaiola
um pássaro raro
e uma gaiola feia
com barras grossas
um pássaro raro
uma gaiola
e uma promessa falsa
falsa
falsa
um pássaro raro
preso em uma gaiola feia
com grossas
grossas barras de ferro
e um canto triste
baixo
mais baixo
um pássaro raro
esquecido em uma gaiola
com grossas e negras barras de ferro
grossas e negras e tristes
triste era o pássaro também
o pássaro raro não cantava
sua voz não era capaz
não
ela não era capaz
de atravessar as grossas e negras e tristes barras de ferro da gaiola
um pássaro raro em uma gaiola
esquecida 
esquecida
uma gaiola esquecida e feia e com barras negras e grossas e tristes de ferro
quem esqueceria um pássaro raro em uma gaiola feia e de barras negras e grossas e ainda
além disso
triste?
quem?
e quem não ouviria o canto doce
e calmo
e além de tudo 
belo
daquele pássaro raro?
quem teria
coragem
mas não se trata apenas de coragem
se trata
de crueldade
talvez até ignorância
mas quem 
quem prenderia um pássaro raro em uma gaiola
gaiola triste com barras negras e grossas e feias
e tristes
como
o canto surdo daquele pássaro raro?
um pássaro raro
em uma gaiola
não é mais
um pássaro raro.
é apenas um pássaro triste
em uma gaiola triste moço.
por isso
e por
talvez vingança
ou talvez
por justiça
acaso
ou destino
por isso
e por tudo
a gaiola esquecida
enferrujada
teve suas barras de ferro
grossas e feias
e tristes
e antes tão fortes
despedaçadas.
como pó.
nada mais prende
nada mais torna surdo
o canto doce
e calmo
e belo
daquele pássaro.
o pássaro raro
agora
é livre
e vivo.
é um pássaro raro novamente.
sem mais gaiolas
e grossas barras de ferro tristes e negras
sem canto surdo
sem tristeza
sem prisão.
um pássaro raro
e apenas isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oh, just say something, bye