domingo, 2 de outubro de 2011

tudo derrete.

é uma boca disforme, uma única boca que derrete. derrete vazia e muda.
uma única boca que não diz absolutamente nada, porque nada é bom o suficiente para ser dito, nada é capaz de explicar. palavras são perda de tempo.
uma única boca disforme que derrete, um corpo inteiro e uma vida com todas as dores e todas as verdades e todas os amores e todas as lembranças e todas as histórias e todas as coisas que existem em uma vida que derretem. derretem na calçada. 
plasta.
todo um corpo que derrete e apenas dois olhos, estalados que te olham. e esses olhos que te olham dizem menos que a boca.
dizem menos que os gritos surdos.
dizem menos que uma palavra poderia te dizer.
é desnecessário, é realmente e verdadeiramente desnecessário repetir, mas existem um milhão de coisas e - eu me arrisco a dizer - um milhão de pessoas que não são necessárias, e que se repetem todos os dias.
por isso, eu repito, por isso e talvez por mais, porque existe tantas razões no mundo que eu me perco.
todo um corpo e toda uma vida e tudo aquilo que eu disse antes que derrete antes de poder dizer talvez antes de poder viver totalmente como uma vida deve ser vivida.
e as paredes e as pessoas e antes de tudo os sentimentos. derretem. e escorrem pela calçada e pelo chão e por tudo e por nada e talvez escorra para alguma outra dimensão. escorre.
e depois some.
todas as coisas e todas as pessoas e todas as bocas mudas e todos os ouvidos que ignoram qualquer verdade que lhes seja dita e todos os sentimentos derretem, escorrem e somem.
tudo acaba no ralo.


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