domingo, 13 de outubro de 2013

Amanheceu, e seus olhos castanhos estavam mais vazios que na noite anterior.
O sorriso permanece intacto, não importa quantos golpes, não importa quanta dor, não importa quanto nada, o sorriso permanece intacto.
Seus olhos castanhos pareciam mais frios enquanto ela olhava no espelho e penteava o cabelo quase como automaticamente, coisa que ela não fazia nunca, ela nunca penteava o cabelo, mas talvez ela quisesse olhar para dentro de seus olhos vazios, então, como uma exceção, apenas naquela manhã ela penteava o cabelo enquanto contemplava seus próprios olhos castanhos e vazios.
Era incapaz de contemplar os outros olhos castanhos e perguntava-se, ansiosa o que estaria para acontecer.
Na verdade não havia nenhum mistério. Tudo era absolutamente comum e óbvio e talvez fosse isso o que mais a incomodava no final das contas. Não havia mais nenhum mistério naquela alma.
Amanheceu, seus olhos castanhos abriram-se lentamente, e durante todo o dia eles morreram lentamente, definhando a cada minuto, a cada olhar.
O sorriso permanece intacto, não importa se os olhos não querem se manter abertos, o sorriso sempre permanece intacto.
Seus olhos castanhos pareciam mais entediados que o normal, ela se olhava na frente do espelho mas procurava ver alguma coisa além dos olhos castanhos.
Talvez ela procurasse alguma coisa além daquela banalidade fria e vazia. Alguma coisa nova que a fizesse querer abrir os olhos novamente no dia seguinte.
Ela estava cansada de olhos castanhos.
Ela estava cansada de olhos vazios.
E estava cansada da aflição de saber exatamente o que vem depois. Ou o que não vem.
Seus olhos castanhos e vazios e frios abrem-se lentamente em uma manhã sem sol nem chuva e se perguntam porque, porque exatamente eles se abrem todas as manhãs.
Estão tão entediados e não querem olhar absolutamente nada.
Tudo é vazio, apenas porque os olhos são.
Ela pensa que não precisa olhar mais nada porque não há mais nada para se ver.
Então, eles deixam de se olhar na frente do espelho e deixam de imaginar os confusos olhos castanhos que ficaram para sempre distantes. Ficaram para trás.
Seus olhos castanhos abertos, arregalados, olham, assustados, olham sem parar para o fundo, para o mais fundo possível de si mesmos e tentam encontrar algo, alguma palavra para exprimir toda a solidão e tristeza que habitam sua alma.
Olham desesperadamente para si e a boca tenta dizer, mas é muito dificil.
E o pior de tudo, é absolutamente inútil dizer.
É preciso que os olhos castanhos encontrem um motivo, ou algo para olharem, eles precisam encontrar algo que amem ou não poderão se abrir nunca mais, apenas isso.

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