Depois eu choro.
Depois eu rio.
Depois tudo fica bem.
Depois não.
Depois eu sinto. A sua mão quente tocar a minha. Agora não.
Depois eu ouço tudo o que você tiver para dizer.
Depois eu falo tudo o que estiver engasgado na minha garganta. Eu grito.
Depois não. Porque não terei mais voz. E não adianta falar se você não vai me ouvir.
Depois eu olho nos seus olhos pra me certificar que você ainda está viva. Porque eu não sei se eu estou.
Depois eu sinto essa dor que você diz que não existe. Ela existe. Mas você, ah, você é o melhor anestésico que existe. Ultimamente eu ando entorpecida de mais para sentir essa dor, que eu insisto, existe.
Depois eu corro para bem longe, e fujo, até de você. Até de mim.
Depois não.
Depois eu fico cansada de tudo isso. Quando eu recuperar minhas forças eu prometo que correremos juntos.
Depois eu vou embora, sem nem dizer adeus. É por pouco tempo, você sabe melhor que eu.
Depois eu volto, como era esperado.
Depois nos encontramos.
Depois nos perdemos.
Depois nos encontramos novamente.
Depois perde a graça, e vamos cada um para um lado com a promessa de um dia se encontrar novamente.
Depois eu penso se tudo isso não é uma grande mentira.
Depois não penso mais.
Depois eu me pergunto se eu não sou uma mentira.
Depois eu nem respondo.
Depois eu nem me importo.
Depois eu me importo, porque é uma daquelas verdades absolutas e necessárias para se viver. É uma daquelas perguntas que todos um dia já fizeram e buscaram a resposta. Mas eu não. Eu não sei o que eu sou. Não sei quem eu sou.
Depois eu fecho os olhos e durmo.
Depois eu não acordo. Assim eu fujo.
Depois eu não acordo. Assim não dói.
Depois eu não acordo. Assim não encomoda.
Depois eu não acordo. Assim é melhor para nós dois.
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Oh, just say something, bye