sábado, 25 de junho de 2011

Faça com quem alguém te ligue tarde da noite para te dizer aquelas coisas que ela não conseguiria dizer na sua frente. Mas não tem nenhum problema não conseguir dizer. Também não tem problema se não conseguir dormir. Isso não é além do normal. O importante é que exista algo a ser dito. Algo a ser feito, sem muita pressa nem demora. Algo que exista em silêncio. E que viva em silêncio. Que com o tempo pulse mais rápido, ou então, não pulse mais. Que com os dias aumente, ou diminua. Mas que exista. Por um tempo curto. Ou por anos e anos. Exista, é importante existir. Faça com que alguém te procure quando você sumir por vinte minutos. Porque vinte minutos podem se tornar vinte anos, ninguém pode adivinhar o que vem depois. Não importa se não encontrar. Não importa se você não foi longe demais. Procure alguém que seja capaz de fazer as coisas certas por você. Porque todo mundo pode fazer merda sozinho. Ninguém precisa de ninguém para fazer merda. Mas, às vezes, a gente precisa de alguém para nos ajudar a fazer com que dê tudo certo. Esteja com alguém que seja capaz de andar ofegante por ruas escuras atrás de você. E que se preocupe de verdade. Que queira te ver feliz. Que goste de você feliz. Mas que também goste de você triste. Que te de um abraço bem apertado numa quarta-feira. E rosas, lindas rosas. Ou apenas aquela flor murcha que ele arrancou de algum jardim. Não precisa ser tanto. Ninguém é rei ou rainha. Não precisamos disso. Espere por alguém que esperaria por você. Mas não pela vida toda. Não seja boba. Espere encontrar alguém discutindo o preço do tofu, ou encontrar alguém na fila do banco, e que odeie filas de banco. Espere ser encontrada. Num dia de sol. Numa noite chuvosa. Faça-o querer morrer. Faça-o querer viver. Faça-o querer ficar para sempre com você apenas por uma noite. Porque o para sempre de uma noite às vezes é melhor que uma vida inteira. Faça-o ir embora. E depois faça com que ele volte para você. Inteiro ou aos pedaços, faça-o ser seu. E ser do mundo. E vá embora também. Só para poder voltar e perguntar como é o mundo quando você não está. Ele não precisa ser cinza querida. Não, não precisa. Ele apenas será, sem você. Apenas será insuficiente. Cheio de bancos vazios. Cheio de pessoas que não são você. Faça-o mentir apenas para te proteger. E acredite na mentira dele, para protege-lo.

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