sábado, 7 de maio de 2011

Enquanto durar.

As paredes já não existem mais. Estão no chão. Como nós estamos. E o teto nunca existiu. Sempre quisemos ver as estrelas a qualquer hora, sem se preocupar se ia chover, se ia fazer sol. Se a gente ia morrer de frio de madrugada, ou ficar queimado de sol depois de uma manha inteira dormindo. Apenas queríamos ver as estrelas.
As roupas são quase desnecessárias. O que nós gostamos é do contato. De estar perto, mas nem tanto. Também não gostamos de coisas impostas como paredes. Paredes nos limitam demais. E queremos sempre ver a paisagem linda que nos cerca. As montanhas, que estão fora e dentro de nós. E que parecem nos distanciar a cada minuto um pouco mais, como num grito contínuo que vai elevando e elevando o tom, até se tornar ensurdecedor, e depois para. Fica só o silêncio. Para dizer que acabou. Que não tem mais voz. Que nunca mais terá.
O chão é o que temos. É duro, ou acolchoado, é gelado, ou quente. Depende muito de muitas coisas. Menos de nós. Aliás, quase nada aqui depende de nós, e não podemos mudar nem metade das nossas vidas. Mas podemos ver as estrelas, e para mim enquanto durar, está bom.

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