sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quanto tempo?

Ela fitava o chão. Depois as paredes. Fitava as luzes. As pessoas. E por fim, meus olhos. Via sem ver. Sem perceber o que via. Sem perceber também que era vista. Mas de repente acordou. E como a realidade era, de fato, triste, ela quis voltar a sonhar. Fechou os olhos e desejou não ter acordado. Mas ela tinha. Quando percebeu que tão cedo não voltaria a sonhar, o desespero tomou conta dos seus olhos. Ela queria ir embora. Sair dali. Ela queria gritar. E quando seus olhos encontraram os meus, ela me pediu ajuda. Eu atravessei a multidão puxei-a pela mão e a salvei daquele lugar. Agora estávamos só nós dois. Pareceu que ela ia dizer algo, mas eu a apertei contra meu corpo, o mais forte que eu podia e enquanto eu a abraçava eu podia sentir a sua respiração ofegante e o seu coração batendo forte, então eu lhe disse: - Não seu preocupe. Eu estou aqui. Eu vim. Ela rapidamente se desprendeu dos meus braços e me perguntou: - Até quando? Eu não respondi. Eu apenas a comprimi novamente contra mim. E enquanto eu estava abraçada nela, lágrimas escorreram dos meus olhos e um gosto amargo invadiu a minha boca. Por que eu não estaria ali para sempre. E o pior, é que ela sabia disso. 

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