Ela sorriu e mentiu como - de fato - sempre fez. Não que ela quisesse mentir. Mas a verdade, muitas vezes era inconveniente, não só para ela como para os outros. Disse que estava tudo bem, quando não estava. Disse que não ia chorar, quando já não aguentava mais. Disse que podia continuar, quando já não tinha mais forças. Doou tudo de si.
Tinha olhos negros e melancólicos, que lhe sugavam até um passado bom e distante, e que nunca vai voltar. As palavras que ela diz não fazem sentido. Nem seus gestos impulsivos. Estar como ela é como estar perdido. Sem rumo, sem chão, sem nada. É de uma falsa alegria que ela vive. Com sorrisos e conselhos de vida. Conselhos bons que ela nunca segue. Sorrisos verdadeiros que nunca duram. Ela prefere salvar a todos, exceto a si mesma. Ela pensa não valer nada. Talvez não valha. Talvez valha. E se você perguntar o que ela quer, ela não vai lhe responder, porque ela não sabe. É admirável como ela é capaz de tudo por alguém. Mas ela não liga. Não como antes. E é sempre assim que pensa. No antes.
E vive de um passado, que vai lhe consumindo a cada lembrança. E o presente é igual a nada. Ela não consegue perceber o que esta acontecendo agora. E no fim, só o que sobra dentro dela, são lágrimas que nunca vão ser choradas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Oh, just say something, bye